FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2015
Um passo fundamental na interpretação dos resultados de um trabalho científico é a correta avaliação do P-Valor. Pinto e colaboradores (Rev Assoc Med Bras. 2011 MarApr; 57(2):171-6) estudaram o hábito de tabagismo após o tratamento de pacientes com câncer de cabeça e pescoço, exceto laringectomias. Foram comparados pacientes que receberam quimio e radioterapia (grupo “clínico”) e que foram operados (grupo “cirúrgico”) e os resultados encontram-se descritos na tabela (“Tabela 2”). Analise a tabela, interprete corretamente o seu resultado e assinale a resposta certa. (VER IMAGEM)
P-valor < 0,05 indica diferença estatisticamente significante entre grupos, rejeitando a hipótese nula de que a diferença é ao acaso.
Um P-valor de 0,004 (como mencionado na alternativa B) é menor que 0,05, o que indica que a diferença observada entre os grupos é estatisticamente significante e não se deve ao acaso. Portanto, a alternativa B está incorreta ao afirmar que a chance de resultado ao acaso é alta. A alternativa D, ao afirmar que o tratamento cirúrgico resultou em taxas estatisticamente significantes de cessação de tabagismo, está alinhada com a interpretação de um P-valor < 0,05.
A correta interpretação do P-valor é um pilar fundamental na avaliação crítica de qualquer trabalho científico, especialmente para residentes que precisam aplicar evidências na prática clínica. O P-valor quantifica a probabilidade de observar os dados (ou dados mais extremos) se a hipótese nula (H0) fosse verdadeira. A hipótese nula geralmente postula que não há diferença ou associação entre os grupos ou variáveis estudadas. Quando o P-valor é menor que o nível de significância pré-definido (comumente 0,05), rejeitamos a hipótese nula e consideramos o resultado estatisticamente significante. Isso significa que a diferença observada é improvável de ter ocorrido apenas por acaso. No contexto da questão, um P-valor de 0,004 indica uma diferença altamente significante, refutando a ideia de que o resultado é 'ao acaso'. Portanto, a alternativa B está incorreta em sua interpretação, enquanto a alternativa D, que afirma uma diferença estatisticamente significante, está alinhada com um P-valor baixo. É crucial também entender a escolha do teste estatístico. O teste de qui-quadrado é apropriado para comparar proporções em dados categóricos, mas para amostras pequenas ou quando as frequências esperadas em qualquer célula da tabela de contingência são baixas (geralmente <5), o teste exato de Fisher é mais adequado, pois fornece um cálculo de probabilidade exato e não uma aproximação. A compreensão desses conceitos permite aos residentes não apenas responder a questões de prova, mas também avaliar criticamente a literatura médica e tomar decisões baseadas em evidências.
Um P-valor de 0,004 significa que há apenas 0,4% de chance de observar uma diferença tão grande ou maior entre os grupos, se a hipótese nula (de que não há diferença real) fosse verdadeira. Isso indica que a diferença é estatisticamente significante, e a hipótese nula é rejeitada.
A significância estatística é geralmente definida por um limiar de P-valor (alfa), comumente 0,05. Se o P-valor calculado for menor que esse limiar (P < 0,05), o resultado é considerado estatisticamente significante, sugerindo que a diferença observada não é devido ao acaso.
O teste exato de Fisher é preferível ao teste de qui-quadrado quando as amostras são pequenas, especialmente quando há células com contagens esperadas menores que 5 em uma tabela de contingência 2x2. Ele fornece um cálculo exato da probabilidade, enquanto o qui-quadrado é uma aproximação que pode ser imprecisa com amostras pequenas.
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