Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Menina, 3 anos de idade, diminuiu o número de micções e queixa-se de dor abdominal antes de urinar, e dor e ardor ao urinar, há 2 dias. Hoje apresentou temperatura de 38 ºC e reduziu um pouco a alimentação. Usa fralda noturna e os genitais e a região perianal estão hiperemiados. Foram colhidos exames de urina I e urocultura com antibiograma por saco coletor. No resultado da análise de urina, há 100000 leucócitos/mm³, 12000 hemacias/mm³ e nitrito positivo. Foi medicada com cefalosporina de 1ª geração. O resultado da urocultura foi liberado no quinto dia de tratamento, com crescimento de 50000 UFC de E. coli resistente à ampicilina e 30000 UFC de Proteus sp, resistente às cefalosporinas. Está bem, sem queixas. A conduta adequada ao quadro é:
ITU pediátrica + Urocultura por saco coletor com múltiplos germes e baixa UFC + Melhora clínica com ATB empírico → Contaminação provável, manter ATB e investigar após.
Em crianças, a urocultura coletada por saco coletor tem alta taxa de contaminação. Se a criança apresenta melhora clínica significativa com o tratamento empírico, mesmo com uma urocultura mostrando múltiplos germes ou baixa contagem de colônias e resistência ao antibiótico em uso, é provável que a urocultura esteja contaminada. Nesses casos, a conduta é completar o tratamento e investigar o trato urinário após o término, sem trocar o antibiótico desnecessariamente.
A infecção do trato urinário (ITU) em crianças é uma condição comum que exige atenção, pois pode levar a danos renais se não tratada adequadamente. O diagnóstico é baseado na presença de sintomas clínicos e na confirmação por urocultura. No entanto, a coleta de urina em crianças pequenas é um desafio, e o uso de saco coletor é frequentemente associado a altas taxas de contaminação, o que pode levar a resultados laboratoriais enganosos. Neste caso, a menina de 3 anos apresenta sintomas clássicos de ITU e uma urina I sugestiva (leucocitúria, nitrito positivo). Ela foi medicada com cefalosporina de 1ª geração e, no quinto dia de tratamento, está bem e sem queixas. A urocultura, coletada por saco coletor, mostrou crescimento de dois germes com contagens relativamente baixas (50.000 e 30.000 UFC) e resistência aos antibióticos em uso. A melhora clínica da paciente, apesar dos resultados da urocultura, é o fator mais importante a ser considerado. A conduta mais adequada é considerar a urocultura como contaminada devido ao método de coleta, à presença de múltiplos germes com baixa contagem e, principalmente, à melhora clínica da criança. Não se deve trocar o antibiótico se a criança está respondendo bem ao tratamento. O curso do antibiótico deve ser completado, e uma ultrassonografia de rins e vias urinárias deve ser realizada para investigar possíveis anomalias anatômicas que predispõem a ITU. Uma nova urocultura pode ser coletada após o término do tratamento para confirmar a erradicação da infecção, se houver persistência de sintomas ou preocupação.
Uma urocultura por saco coletor é frequentemente contaminada. Sinais de contaminação incluem crescimento de múltiplos germes, contagens de colônias abaixo de 100.000 UFC/mL (especialmente se a criança está clinicamente bem), ou a presença de flora mista. A melhora clínica do paciente sob tratamento empírico é um forte indicativo de contaminação, mesmo com resultados laboratoriais 'positivos' duvidosos.
A ultrassonografia de rins e vias urinárias é crucial para investigar anomalias anatômicas que predispõem a infecções urinárias de repetição ou pielonefrite, como refluxo vesicoureteral, hidronefrose ou outras malformações. A identificação precoce dessas condições permite intervenção para prevenir danos renais a longo prazo.
A correlação clínico-laboratorial é fundamental. Se a criança apresenta sintomas de ITU, mas melhora significativamente com o tratamento empírico, a resposta clínica deve guiar a conduta, mesmo que a urocultura (especialmente se coletada por método propenso à contaminação) sugira resistência ou múltiplos germes. O tratamento não deve ser alterado apenas por um resultado laboratorial duvidoso se a clínica é favorável.
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