UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2021
Paciente, 38 anos, assintomático e sem história prévia de icterícia, hepatites, hemotransfusões, cirurgias ou uso de drogas ilícitas. Apresenta os seguintes exames: HBsAg positivo, AntiHBc total positivo, AntiHBc IgM negativo, HBeAg negativo, AntiHBe positivo, AntiHBs negativo, ALT 29 UI/ml (LSN 40UI/ml), AST 33 UI/ml (LSN 40UI/ml). Com base somente nesses exames, podemos afirmar que se trata de
HBsAg (+) + AntiHBc total (+) + AntiHBc IgM (-) + AntiHBs (-) = Hepatite B Crônica.
A presença de HBsAg positivo por mais de 6 meses, juntamente com AntiHBc total positivo e AntiHBc IgM negativo, indica infecção crônica pelo vírus da Hepatite B. O HBeAg negativo e AntiHBe positivo sugerem uma fase de replicação viral baixa ou inativa, mas ainda é uma infecção crônica.
A interpretação da sorologia da Hepatite B é um pilar fundamental no diagnóstico e manejo da infecção pelo vírus da Hepatite B (HBV), sendo um tema recorrente em provas de residência. A infecção pode apresentar diferentes fases, cada uma com um perfil sorológico específico, que reflete a interação entre o vírus e o sistema imunológico do hospedeiro. No caso apresentado, o perfil HBsAg positivo, AntiHBc total positivo, AntiHBc IgM negativo, HBeAg negativo, AntiHBe positivo e AntiHBs negativo, com enzimas hepáticas normais, é classicamente compatível com Hepatite B crônica HBeAg-negativa, também conhecida como fase de portador inativo ou hepatite crônica com baixa replicação viral. A ausência de AntiHBc IgM exclui a fase aguda, e a ausência de AntiHBs indica que não houve resolução da infecção. É crucial para o residente entender que a Hepatite B crônica HBeAg-negativa, mesmo com enzimas normais, ainda requer acompanhamento devido ao risco de reativação viral e progressão para cirrose ou carcinoma hepatocelular. A distinção entre as fases da infecção é essencial para guiar a conduta terapêutica e o prognóstico do paciente.
A Hepatite B aguda é caracterizada pela presença de HBsAg e AntiHBc IgM positivos. Já a infecção crônica é definida pela persistência do HBsAg por mais de seis meses, com AntiHBc total positivo e AntiHBc IgM negativo.
HBeAg negativo e AntiHBe positivo em um paciente HBsAg positivo indicam que o vírus está em uma fase de baixa replicação ou que houve soroconversão do HBeAg. Isso é comum na fase de hepatite B crônica HBeAg-negativa, que pode ter atividade inflamatória mínima ou significativa.
A imunidade pós-vacinação é indicada pela presença isolada de AntiHBs positivo. A infecção resolvida é caracterizada pela perda do HBsAg, presença de AntiHBs positivo e AntiHBc total positivo.
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