Meningite Bacteriana: Interpretação do LCR e Diagnóstico

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2021

Enunciado

Interprete os resultados da análise do LCR a seguir, de um jovem com suspeita de meningite: Aspecto: turvo; proteínas: 200 mg/dl; glicorraquia: 20 mg/dl; leucócitos 510/mm³ (80% seg e 10% linf); bacterioscopia: diplococos gram-positivos. O possível diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) Meningite bacteriana provavelmente meningocócica.
  2. B) Meningite bacteriana provavelmente pneumocócica.
  3. C) Meningite bacteriana provavelmente por Haemophilus influenza.
  4. D) Meningite tuberculosa.

Pérola Clínica

LCR turvo, neutrofílico, hipoglicorraquia, hiperproteinorraquia + diplococos G+ → Meningite pneumocócica.

Resumo-Chave

O perfil do LCR (turvo, pleocitose com predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia) é altamente sugestivo de meningite bacteriana. A identificação de diplococos gram-positivos na bacterioscopia direciona o diagnóstico etiológico para Streptococcus pneumoniae, o agente mais comum com essa morfologia e coloração.

Contexto Educacional

A interpretação do líquor cefalorraquidiano (LCR) é a pedra angular no diagnóstico diferencial das meningites, permitindo distinguir entre etiologias bacterianas, virais, fúngicas e outras. Em um paciente jovem com suspeita de meningite, a análise do LCR fornece pistas cruciais para o manejo. Os resultados apresentados – aspecto turvo, proteínas elevadas (200 mg/dl), glicose muito baixa (20 mg/dl), pleocitose significativa com predomínio de neutrófilos (510 leucócitos/mm³, 80% segmentados) – são clássicos de meningite bacteriana aguda. O aspecto turvo indica alta celularidade ou presença de bactérias. A hipoglicorraquia e a hiperproteinorraquia são marcadores da intensa atividade metabólica bacteriana e da inflamação da barreira hematoencefálica, respectivamente. A pleocitose neutrofílica é o achado mais característico de infecção bacteriana. A bacterioscopia de Gram é um exame rápido e de grande valor. A identificação de "diplococos gram-positivos" é o achado chave que direciona o diagnóstico etiológico. Dentre os principais agentes de meningite bacteriana, o Streptococcus pneumoniae (pneumococo) é o que se apresenta como diplococos gram-positivos, frequentemente lanceolados. Neisseria meningitidis (meningococo) seria diplococo gram-negativo, e Haemophilus influenzae seria um cocobacilo gram-negativo. Portanto, o diagnóstico mais provável é meningite bacteriana por Streptococcus pneumoniae, o que tem implicações diretas no tratamento empírico inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos do LCR que sugerem meningite bacteriana?

Os achados típicos incluem aspecto turvo, pleocitose significativa (geralmente >100 células/mm³) com predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia (glicose <40 mg/dL ou relação LCR/plasma <0,4) e hiperproteinorraquia (>100 mg/dL). Esses indicadores são cruciais para a suspeita diagnóstica.

Como a bacterioscopia de Gram do LCR auxilia no diagnóstico etiológico da meningite?

A bacterioscopia de Gram permite a visualização direta de bactérias no LCR, fornecendo informações rápidas sobre sua morfologia (cocos, bacilos) e coloração (gram-positivos, gram-negativos), o que ajuda a direcionar o tratamento empírico antes dos resultados da cultura e sensibilidade.

Qual a diferença entre Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis na bacterioscopia de Gram?

Streptococcus pneumoniae aparece como diplococos gram-positivos (geralmente lanceolados), enquanto Neisseria meningitidis aparece como diplococos gram-negativos (geralmente em forma de grão de café), muitas vezes intracelulares em neutrófilos. Essa distinção é fundamental para o manejo.

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