Hemograma e Comorbidades: Correlação Clínico-Laboratorial

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021

Enunciado

No ambulatório de hematologia, quatro pacientes estão sendo acompanhados: um homem de dezenove anos de idade, com antecedente de anemia falciforme, sem crises há dois anos (1); uma mulher de 68 anos de idade, com antecedente de neoplasia maligna de colón (2); um homem de 54 anos de idade, etilista de cerca de 0,5 L de destilado ao dia (3); e uma mulher de 56 anos de idade, com antecedente de artrite reumatoide bem controlada (4). Por um erro inaceitável do laboratório, os exames a seguir foram impressos sem os nomes dos pacientes.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a correlação correta entre os hemogramas demonstrados e os pacientes, tendo em vista as comorbidades de cada indivíduo.

Alternativas

  1. A) 1C, 2D, 3A e 4B
  2. B) 1C, 2B, 3A e 4D
  3. C) 1B, 2A, 3D e 4C
  4. D) 1A, 2D, 3C e 4B
  5. E) 1D, 2B, 3C e 4A

Pérola Clínica

Correlacionar hemograma com comorbidades: Falciforme → anemia normo/normo, reticulocitose; Neoplasia cólon → anemia micro/hipo; Etilista → macrocitose, plaquetopenia; AR → anemia doença crônica.

Resumo-Chave

A interpretação do hemograma é fundamental para correlacionar com as comorbidades do paciente. Anemia falciforme cursa com anemia hemolítica crônica; neoplasias de cólon frequentemente causam anemia ferropriva por sangramento; etilismo crônico pode levar à macrocitose e citopenias; e doenças inflamatórias crônicas como artrite reumatoide podem causar anemia de doença crônica.

Contexto Educacional

A interpretação do hemograma é uma habilidade diagnóstica fundamental na medicina, permitindo a correlação de achados laboratoriais com o quadro clínico e as comorbidades do paciente. Cada condição médica pode deixar uma 'assinatura' característica no hemograma, que, quando bem compreendida, auxilia no diagnóstico e manejo. É crucial para residentes e estudantes dominar essa correlação. Por exemplo, a anemia falciforme, uma hemoglobinopatia genética, cursa com hemólise crônica, resultando em anemia normocítica normocrômica e reticulocitose. A neoplasia maligna de cólon, por sua vez, é uma causa comum de sangramento gastrointestinal oculto, levando à anemia ferropriva, caracterizada por microcitose e hipocromia. O etilismo crônico é uma causa frequente de macrocitose, muitas vezes sem anemia, devido a efeitos tóxicos diretos do álcool na medula óssea ou deficiência de folato. Além disso, pode causar plaquetopenia e leucopenia. A artrite reumatoide, uma doença inflamatória crônica, pode levar à anemia de doença crônica, que tipicamente é normocítica normocrômica, mas pode ser levemente microcítica e hipocrômica. A capacidade de integrar esses achados com a história clínica é essencial para uma prática médica eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos de anemia falciforme no hemograma?

A anemia falciforme geralmente apresenta anemia normocítica normocrômica, reticulocitose (devido à hemólise crônica), presença de drepanócitos (células falciformes) e corpúsculos de Howell-Jolly (devido à asplenia funcional).

Por que a neoplasia maligna de cólon pode causar anemia?

Neoplasias de cólon frequentemente causam sangramento gastrointestinal crônico e oculto, levando à perda de ferro e, consequentemente, ao desenvolvimento de anemia ferropriva, que se manifesta como anemia microcítica hipocrômica.

Quais alterações hematológicas são comuns em pacientes etilistas crônicos?

Pacientes etilistas crônicos podem apresentar macrocitose (VGM elevado) devido a toxicidade medular direta do álcool e/ou deficiência de folato, além de plaquetopenia e leucopenia por supressão medular ou hiperesplenismo associado à doença hepática.

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