Distúrbios Ácido-Base: Interpretação e Ânion Gap Aumentado

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020

Enunciado

Homem, 54 anos de idade, sem comorbidades, foi admitido no pronto-socorro com queixa de febre, dor na perna esquerda associada à hiperemia local e linfadenite inguinal ipsilateral. Gasometria arterial: pH = 7,22; bicarbonato = 12mEq/L; PaCO₂ 34mmHg; PaO₂ = 87 mmHg. Exames laboratoriais: sódio = 140mEq/L; cloro = 101mEq/L. Qual é o distúrbio ácido-base evidenciado?

Alternativas

  1. A) Distúrbio ácido-básico misto, acidose respiratória e alcalose metabólica e sem alteração no anion gap.
  2. B) Distúrbio ácido-básico simples, acidose metabólica com ânion gap normal e resposta compensatória respiratória adequada.
  3. C) Distúrbio ácido-básico misto, alcalose respiratória e acidose metabólica com ânion gap normal.
  4. D) Distúrbio ácido-básico simples, acidose metabólica com ânion gap aumentado e resposta respiratória compensatória adequada.
  5. E) Distúrbio ácido-básico misto, acidose metabólica com ânion gap aumentado e resposta compensatória respiratória inadequada.

Pérola Clínica

pH ↓, HCO3 ↓, PaCO2 ↓ + AG ↑ → Acidose metabólica com AG aumentado e compensação respiratória inadequada.

Resumo-Chave

A interpretação da gasometria arterial começa pelo pH para definir acidemia/alcalemia, seguido pelo HCO3 e PaCO2 para identificar o componente primário. O cálculo do ânion gap (AG = Na - (Cl + HCO3)) é crucial na acidose metabólica para diferenciar as causas e, por fim, a avaliação da compensação respiratória verifica se há um distúrbio misto.

Contexto Educacional

A interpretação dos distúrbios ácido-base é uma habilidade fundamental na prática médica, especialmente em situações de emergência. A gasometria arterial fornece informações cruciais sobre o equilíbrio ácido-base do paciente. O primeiro passo é avaliar o pH para determinar se há acidemia ou alcalemia. Em seguida, analisa-se o PaCO2 e o bicarbonato (HCO3) para identificar o componente primário do distúrbio, seja ele respiratório ou metabólico. Na presença de acidose metabólica (pH baixo e HCO3 baixo), o cálculo do ânion gap (AG) é indispensável. O AG é a diferença entre os cátions e ânions não mensuráveis no plasma (Na+ - (Cl- + HCO3-)). Um AG elevado (>12 mEq/L) sugere acúmulo de ácidos não voláteis, como na cetoacidose, acidose láctica ou intoxicações. Um AG normal indica perda de bicarbonato ou ganho de cloro. Finalmente, é crucial avaliar a adequação da compensação respiratória. Na acidose metabólica, espera-se uma queda compensatória do PaCO2. A fórmula de Winter (PaCO2 esperado = 1,5 x HCO3- + 8 ± 2) ajuda a determinar se a compensação é adequada. Se o PaCO2 medido estiver fora dessa faixa, um distúrbio misto (acidose metabólica com acidose ou alcalose respiratória associada) deve ser considerado, o que impacta diretamente a conduta terapêutica.

Perguntas Frequentes

Como iniciar a interpretação de uma gasometria arterial?

Comece avaliando o pH para determinar se há acidemia (<7,35) ou alcalemia (>7,45). Em seguida, observe o PaCO2 e o HCO3 para identificar o distúrbio primário (respiratório ou metabólico).

Qual a fórmula para calcular o ânion gap e sua importância?

O ânion gap (AG) é calculado por Na+ - (Cl- + HCO3-). Seu valor normal é de 8-12 mEq/L. É crucial na acidose metabólica para diferenciar entre causas com AG aumentado (ex: cetoacidose, insuficiência renal) e AG normal (ex: diarreia, acidose tubular renal).

Como avaliar a adequação da compensação respiratória na acidose metabólica?

A compensação respiratória é avaliada pela fórmula de Winter: PaCO2 esperado = 1,5 x HCO3- + 8 ± 2. Se o PaCO2 medido estiver fora dessa faixa, indica um distúrbio respiratório associado (misto).

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