UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2020
Considere os valores normais de referência para os parâmetros de uma gasometria arterial a seguir. pH 7,35 – 7,45 pCO₂ 35 – 45 mmHg HCO₃ 23 – 26 mEq/L; Sobre os distúrbios ácido-básicos, relacione as gasometrias com o distúrbio predominante.(I) pH 7,30 – pCO₂ 54 mmHg – HCO₃ - 28 mEq/L;(II) pH 7,26 – pCO₂ 48 mmHg – HCO₃ 18 mEq/L; (III) pH 7,47 – pCO₂ 45 mmHg – HCO₃ 29 mEq/L; (IV) pH 7,52 – pCO₂ 28 mmHg – HCO₃ 28 mEq/L; (V) pH 7,25 – pCO₂ 28 mmHg – HCO₃ 14 mEq/L; (A) Alcalose mista; (B) Acidose respiratória; (C) Alcalose metabólica; (D) Acidose metabólica; (E) Acidose mista;Assinale a alternativa que contém a associação correta.
pH ↓, pCO₂ ↑, HCO₃ ↑ = Acidose Respiratória. pH ↓, pCO₂ ↑, HCO₃ ↓ = Acidose Mista.
A interpretação da gasometria arterial envolve analisar o pH para determinar acidemia/alcalemia, pCO₂ para componente respiratório e HCO₃ para componente metabólico. A presença de alterações em ambos os componentes (respiratório e metabólico) que contribuem para o mesmo distúrbio de pH indica um distúrbio misto.
A interpretação da gasometria arterial é uma habilidade essencial para qualquer médico, especialmente para residentes em terapia intensiva, emergência e clínica médica. Ela fornece informações cruciais sobre o equilíbrio ácido-básico, ventilação e oxigenação do paciente, permitindo o diagnóstico e manejo de distúrbios potencialmente fatais. O conhecimento dos valores de referência para pH, pCO₂ e HCO₃ é o ponto de partida para essa análise. Os distúrbios ácido-básicos podem ser classificados como respiratórios (alteração primária no pCO₂) ou metabólicos (alteração primária no HCO₃), e podem ser simples ou mistos. Um distúrbio simples envolve uma alteração primária e uma compensação fisiológica. Já os distúrbios mistos ocorrem quando há mais de um distúrbio primário presente simultaneamente, o que pode tornar a interpretação mais complexa. É fundamental analisar o pH para determinar a acidemia ou alcalemia, e então avaliar o pCO₂ e o HCO₃ para identificar o componente primário e a presença de compensação. Para dominar a interpretação, é necessário um raciocínio sistemático: 1. Avaliar o pH (acidemia ou alcalemia). 2. Avaliar o pCO₂ (componente respiratório). 3. Avaliar o HCO₃ (componente metabólico). 4. Determinar se há compensação e se ela é apropriada. 5. Identificar distúrbios mistos. A prática constante com exemplos de gasometrias é a melhor forma de consolidar esse conhecimento, que é frequentemente cobrado em provas de residência e crucial na tomada de decisões clínicas diárias.
Uma acidose respiratória é caracterizada por um pH abaixo do normal (acidemia) e um pCO₂ acima do normal. Se o HCO₃ estiver elevado, indica uma compensação metabólica. O distúrbio primário é a retenção de CO₂, que leva à acidificação do sangue.
Na acidose metabólica, o pH está baixo e o HCO₃ está baixo, com pCO₂ baixo como compensação respiratória. Na acidose mista, tanto o HCO₃ quanto o pCO₂ estão alterados de forma a contribuir para a acidemia (ex: HCO₃ baixo e pCO₂ alto), indicando dois distúrbios primários simultâneos.
Deve-se suspeitar de um distúrbio misto quando a compensação esperada para um distúrbio primário não se encaixa nos valores observados, ou quando ambos os componentes (respiratório e metabólico) estão alterados na mesma direção, contribuindo para o desvio do pH, ou em direções opostas sem que um compense o outro adequadamente.
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