Gasometria Arterial: Interpretação da Acidose Metabólica

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 68 anos, sexo feminino, com histórico de hipertensão e diabetes, procura a emergência por quadro de diarreia aquosa, com cerca de 10 episódios por dia, associada a náusea, vômitos e dor abdominal. Relata início dos sintomas há cinco dias.Ao exame físico: sinais de depleção do espaço extracelular, lúcida, Glasgow 15, pressão arterial de 80/40 mmHg, frequência cardíaca de 120 bpm, temperatura de 35,6 ºC, saturação de 92% em ar ambiente. Tempo de enchimento capilar prolongado, pulsos radiais finos, extremidades frias e pegajosas. Abdome: dor leve à palpação difusa, sem sinais de irritação peritoneal ou distensão. Ausculta pulmonar e cardíaca sem peculiaridades. Gasometria arterial em ar ambiente: pH 7,26, pCO₂: 23 mmHg, Bic 10 mEq/L, pO₂: 70 mmHg, SpO₂: 92%, lactato 4 mmol/L, Na⁺: 128 mEq/L, Cl⁻: 105 mEq/L, K⁺: 3,0 mEq/L. Nenhuma terapia foi instituída até o momento.Qual distúrbio é encontrado na interpretação da gasometria? 

Alternativas

  1. A) Acidose metabólica.
  2. B) Alcalose metabólica.
  3. C) Alcalose respiratória.
  4. D) Acidose respiratória aguda.
  5. E) Acidose respiratória crônica. 

Pérola Clínica

pH baixo + Bicarbonato baixo + pCO2 baixo = Acidose metabólica com compensação respiratória. Diarreia grave causa perda de bicarbonato.

Resumo-Chave

A interpretação da gasometria arterial começa pelo pH para determinar acidose ou alcalose. Um pH baixo (acidose) com bicarbonato baixo indica um distúrbio metabólico primário. A pCO2 baixa neste contexto sugere uma compensação respiratória. A diarreia grave leva à perda de bicarbonato, resultando em acidose metabólica, frequentemente agravada por acidose lática devido à hipoperfusão.

Contexto Educacional

A interpretação da gasometria arterial é uma habilidade fundamental para qualquer médico, especialmente em situações de emergência. Os distúrbios ácido-base são comuns em pacientes gravemente enfermos e podem ter um impacto significativo na morbidade e mortalidade. A acidose metabólica, em particular, é um achado frequente em condições como choque, sepse, insuficiência renal e perdas gastrointestinais. A fisiopatologia da acidose metabólica envolve a diminuição primária do bicarbonato sérico, seja por perda (como na diarreia ou fístulas) ou por consumo devido à produção excessiva de ácidos (como na acidose lática, cetoacidose). O diagnóstico é feito pela análise da gasometria: pH baixo (acidemia), bicarbonato baixo e, se houver compensação respiratória, pCO₂ também baixa. O cálculo do ânion gap (Na⁺ - (Cl⁻ + HCO₃⁻)) é crucial para diferenciar as causas da acidose metabólica. O tratamento da acidose metabólica deve focar na causa subjacente, como a reposição volêmica e o tratamento da infecção no caso de choque séptico, ou a interrupção da perda de bicarbonato na diarreia. A administração de bicarbonato exógeno é controversa e geralmente reservada para acidoses muito graves (pH < 7.1) ou em situações específicas. O prognóstico depende da gravidade da acidose e da eficácia do tratamento da condição primária.

Perguntas Frequentes

Quais são os parâmetros essenciais para identificar uma acidose metabólica na gasometria?

Para identificar uma acidose metabólica, observe um pH abaixo do normal (acidemia), um bicarbonato (HCO₃⁻) abaixo do normal e, geralmente, uma pCO₂ também abaixo do normal, indicando compensação respiratória. O lactato elevado também é um forte indício.

Como a diarreia grave pode causar acidose metabólica?

A diarreia grave causa acidose metabólica principalmente pela perda de bicarbonato nas fezes. Além disso, a desidratação e a hipoperfusão resultantes podem levar à produção de ácido lático, contribuindo para uma acidose metabólica com ânion gap elevado.

O que significa uma pCO₂ baixa em um quadro de acidose metabólica?

Uma pCO₂ baixa em um quadro de acidose metabólica indica que o sistema respiratório está compensando a acidose. O corpo tenta eliminar CO₂ (um ácido volátil) através da hiperventilação para elevar o pH sanguíneo de volta ao normal.

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