FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020
Lactente de sete meses é atendido devido a desidratação grave com choque hipovolêmico decorrente de um quadro de gastroenterite aguda por Rotavírus com evolução de cinco dias. Na Unidade de Pronto Atendimento foram feitas duas etapas rápidas de soro fisiológico de 20ml/kg e providenciada a transferência para a unidade de terapia intensiva (UTI). Na admissão do lactente na UTI, ele apresentou a seguinte gasometria: pH: 7,36; pO2: 93mmHg; pCO2: 20mmHg; bicarbonato: 15mEq/l. Em relação à análise do equilíbrio ácido- básico encontrado, pode se afirmar que se trata de:
pH normal + Bicarbonato baixo + pCO2 baixo = Acidose metabólica compensada por alcalose respiratória.
O paciente apresenta acidose metabólica (bicarbonato baixo) com compensação respiratória (pCO2 baixo), resultando em um pH dentro da faixa de normalidade. Isso indica uma acidose metabólica compensada por alcalose respiratória, um achado comum em desidratação grave e choque.
A interpretação da gasometria arterial é uma habilidade fundamental para qualquer médico, especialmente em situações de emergência pediátrica como o choque hipovolêmico por desidratação grave. O equilíbrio ácido-básico é mantido por complexos sistemas tampão e pela regulação pulmonar e renal. Distúrbios nesse equilíbrio podem ter sérias consequências sistêmicas. No caso apresentado, o lactente com choque hipovolêmico por gastroenterite grave desenvolve acidose metabólica devido à hipoperfusão tecidual (produção de lactato) e perda de bicarbonato. A gasometria revela um pH de 7,36 (dentro da normalidade, mas no limite inferior), pCO2 de 20mmHg (baixo) e bicarbonato de 15mEq/l (baixo). O bicarbonato baixo indica o distúrbio primário de acidose metabólica. A pCO2 baixa é a resposta compensatória do sistema respiratório, que tenta "soprar" CO2 para aumentar o pH. A presença de um pH normal, apesar de um distúrbio primário significativo, é a chave para identificar uma acidose metabólica compensada. A compensação respiratória é rápida, mas tem limites. É importante calcular o pCO2 esperado pela fórmula de Winter (pCO2 esperado = 1.5 x HCO3- + 8 ± 2) para verificar se a compensação é apropriada ou se há um distúrbio misto adicional (por exemplo, alcalose respiratória primária ou acidose respiratória sobreposta). Neste caso, a compensação é adequada, resultando em um pH normalizado.
Uma acidose metabólica compensada é caracterizada por um pH dentro da faixa de normalidade ou discretamente baixo, um bicarbonato (HCO3-) significativamente reduzido (indicando o distúrbio primário) e uma pCO2 também reduzida (indicando a compensação respiratória).
Na acidose metabólica, o corpo tenta compensar aumentando a ventilação pulmonar (hiperventilação). Isso leva à eliminação de CO2, diminuindo a pCO2 arterial e, consequentemente, elevando o pH em direção à normalidade.
A desidratação grave e o choque hipovolêmico levam à hipoperfusão tecidual e hipóxia, resultando em metabolismo anaeróbico e acúmulo de ácido lático. Além disso, a perda de bicarbonato pelas fezes na gastroenterite contribui para a acidose metabólica.
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