UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024
Mulher de 29 anos apresenta duas crises tônico-clônicas generalizadas consecutivas, encontrando-se em período pós- -ictal. AP: epilepsia. Gasometria arterial: pH 7,14, pCO2 50 mmHg, K 3,5 mEq/L, Na 141 mEq/L, cloro 98 mEq/L, bicarbonato 14 mEq/L. Os distúrbios acidobásicos apresentados são
Crise tônico-clônica → acidose respiratória (hipoventilação) + acidose metabólica com AG elevado (acidose lática).
A paciente apresenta acidemia mista. A pCO2 elevada (50 mmHg) indica acidose respiratória, provavelmente devido à hipoventilação pós-ictal. O bicarbonato baixo (14 mEq/L) e o ânion-gap elevado (29 mEq/L) indicam acidose metabólica, sendo a acidose lática por atividade muscular intensa durante a convulsão a causa mais comum.
A interpretação da gasometria arterial é uma habilidade fundamental para residentes, especialmente em situações de emergência como o estado pós-ictal de uma crise epiléptica. Pacientes que apresentam crises tônico-clônicas generalizadas frequentemente desenvolvem distúrbios acidobásicos mistos devido a múltiplos fatores fisiopatológicos. A hipoventilação durante e após a crise, decorrente da depressão do sistema nervoso central e da fadiga muscular respiratória, leva ao acúmulo de CO2, resultando em acidose respiratória. Simultaneamente, a intensa atividade muscular e o aumento da demanda metabólica durante a convulsão levam à produção excessiva de lactato, causando uma acidose metabólica com ânion-gap elevado (acidose lática). É crucial que o residente saiba calcular o ânion-gap para diferenciar as causas de acidose metabólica e reconhecer o padrão misto. Embora a acidose lática pós-convulsão seja geralmente autolimitada, seu reconhecimento é importante para o manejo adequado do paciente e para evitar tratamentos desnecessários ou equivocados, focando na estabilização e recuperação neurológica.
Após uma crise tônico-clônica generalizada, é comum encontrar uma acidose respiratória devido à hipoventilação e depressão respiratória pós-ictal, e uma acidose metabólica com ânion-gap elevado, principalmente por acúmulo de ácido lático devido à intensa atividade muscular.
O ânion-gap (AG) é calculado como Na+ - (Cl- + HCO3-). Neste caso, AG = 141 - (98 + 14) = 29 mEq/L, que é elevado. Um ânion-gap elevado indica a presença de ácidos não mensurados, como o lactato, que é produzido em excesso durante as convulsões.
A acidose lática pós-convulsão é geralmente transitória e se resolve espontaneamente com a recuperação do paciente. Raramente requer intervenção específica, mas sua identificação é importante para não confundir com outras causas de acidose metabólica grave e para confirmar o diagnóstico de crise epiléptica em alguns contextos.
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