Gasometria em Renal Crônico: Distúrbios Ácido-Base Complexos

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 35 anos, renal crônico em terapia dialítica, procura atendimento de emergência devido a quadro febre não aferida há cerca de 3 dias e falta de ar há 24 horas com piora progressiva nas últimas horas. Na avaliação clínica paciente encontrava-se pouco sonolento, com perfusão periférica lentificada. Sinais Vitais: FC: 115bpm PA: 80/90mmHg Sat: 88% Na ausculta pulmonar havia estertoração crepitante no 1/3 inferior do hemitórax esquerdo. Coletado gasometria com o seguinte resultado: Em relação a interpretação da gasometria marque a alternativa correta

Alternativas

  1. A) Acidose metabólica com ânion gap normal
  2. B) Acidose metabólica com ânion gap normal e acidose respiratória
  3. C) Acidose metabólica com ânion gap elevado
  4. D) Acidose metabólica com ânion gap elevado e acidose respiratória
  5. E) Acidose respiratória

Pérola Clínica

Renal crônico + febre + choque + dispneia + gasometria alterada → Acidose mista (metabólica AG elevado + respiratória).

Resumo-Chave

Pacientes renais crônicos têm maior risco de acidose metabólica com ânion gap elevado devido à uremia. A presença de dispneia e hipoxemia pode indicar acidose respiratória concomitante, configurando um distúrbio misto grave que exige intervenção imediata.

Contexto Educacional

A interpretação da gasometria arterial é uma habilidade fundamental na medicina de emergência e terapia intensiva, crucial para o manejo de pacientes críticos. Distúrbios ácido-base são comuns, especialmente em populações vulneráveis como pacientes com doença renal crônica (DRC), onde a capacidade de excreção de ácidos está comprometida. A compreensão desses distúrbios é vital para a tomada de decisões terapêuticas rápidas e eficazes. Em pacientes com DRC, a acidose metabólica com ânion gap elevado é uma complicação frequente devido à uremia e à incapacidade renal de excretar ácidos. No entanto, quadros agudos como sepse ou insuficiência respiratória podem sobrepor uma acidose respiratória, resultando em um distúrbio misto. A suspeita deve surgir em pacientes com dispneia, hipoxemia e sinais de choque, exigindo uma análise cuidadosa do pH, pCO2, HCO3 e cálculo do ânion gap para uma interpretação completa. O tratamento de distúrbios ácido-base mistos requer a abordagem das causas subjacentes de cada componente. Para a acidose metabólica urêmica, a diálise é a terapia definitiva. Para a acidose respiratória, o suporte ventilatório e o tratamento da causa da insuficiência respiratória (ex: pneumonia, edema pulmonar) são essenciais. O prognóstico depende da rapidez e eficácia do manejo das condições agudas e crônicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os passos para interpretar uma gasometria arterial em emergência?

Primeiro, avalie o pH para determinar acidemia ou alcalemia. Em seguida, observe o pCO2 e o HCO3 para identificar o componente primário (respiratório ou metabólico) e a compensação. Por fim, calcule o ânion gap se houver acidose metabólica.

Por que pacientes com doença renal crônica desenvolvem acidose metabólica com ânion gap elevado?

A doença renal crônica leva à retenção de ácidos não voláteis (como fosfato e sulfato) devido à diminuição da excreção renal, resultando em acúmulo de ânions não mensuráveis e, consequentemente, um ânion gap elevado.

Como diferenciar acidose metabólica de acidose respiratória em um paciente com dispneia?

A acidose metabólica primária cursa com pH baixo e HCO3 baixo, com pCO2 compensatoriamente baixo. A acidose respiratória primária cursa com pH baixo e pCO2 alto, com HCO3 compensatoriamente alto. Em casos mistos, ambos os componentes podem estar presentes.

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