Cardiotocografia Categoria III: Conduta Obstétrica Urgente

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023

Enunciado

Paciente do sexo feminino, primigesta, gestação a termo, de risco habitual, encontra-se em trabalho de parto espontâneo, sem uso de ocitocina. Ao exame: tu normal, ms 4/10/45, bcf: 144 bpm, toque: colo central, 100% apagado, 9 cm dilatado, bolsa rota, apresentação cefálica, no plano 0. A residente que acompanhava o trabalho de parto observou alteração do batimento cardiofetal, optando por realizar uma cardiotocografia intraparto. Observe o traçado abaixo. Com relação ao quadro clínico descrito acima, diante do resultado da cardiotocografia apresentada, assinale a alternativa que apresenta qual a conduta obstétrica mais adequada.

Alternativas

  1. A) Parto vaginal operatório com abreviação do período expulsivo.
  2. B) Seguir acompanhamento do trabalho de parto, sem necessidade de intervenção.
  3. C) Interromper o acompanhamento de parto e encaminhar a paciente para cesárea de urgência.
  4. D) Alterar a postura materna, iniciar ocitocina em bomba de infusão e seguir acompanhamento de trabalho de parto.

Pérola Clínica

Cardiotocografia Categoria III (padrão não tranquilizador) → Cesárea de urgência para evitar acidemia fetal grave.

Resumo-Chave

Uma cardiotocografia intraparto com padrão de Categoria III (ex: variabilidade ausente com desacelerações tardias ou variáveis recorrentes, ou padrão sinusoidal) indica sofrimento fetal agudo e risco iminente de acidemia. Nesses casos, a conduta mais adequada é a interrupção imediata da gestação por cesárea de urgência para preservar a vitalidade fetal.

Contexto Educacional

A cardiotocografia (CTG) intraparto é a principal ferramenta para monitorar o bem-estar fetal durante o trabalho de parto, permitindo a identificação precoce de hipóxia e acidemia. A interpretação da CTG é categorizada em três classes (I, II e III), com a Categoria III representando o padrão mais preocupante e indicativo de sofrimento fetal agudo. A capacidade de reconhecer e agir rapidamente diante de uma CTG de Categoria III é uma habilidade crítica para residentes e profissionais de obstetrícia, impactando diretamente o desfecho neonatal. A Categoria III é definida pela presença de variabilidade ausente da frequência cardíaca fetal basal, acompanhada por desacelerações tardias recorrentes, desacelerações variáveis recorrentes ou bradicardia. Alternativamente, um padrão sinusoidal também é classificado como Categoria III. Esses achados refletem uma disfunção grave na oxigenação fetal e um alto risco de acidemia metabólica. A suspeita deve ser alta em qualquer alteração persistente do BCF que se enquadre nesses critérios, especialmente se não houver resposta a medidas de reanimação intrauterina. A conduta para uma CTG de Categoria III é a interrupção imediata da gestação, geralmente por cesárea de urgência, para evitar danos neurológicos irreversíveis ou óbito fetal. O prognóstico fetal está diretamente relacionado ao tempo entre o diagnóstico da Categoria III e o parto. Pontos de atenção incluem a necessidade de uma equipe multidisciplinar pronta para o parto de emergência e a reanimação neonatal, além da documentação precisa dos eventos e das intervenções realizadas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados de uma cardiotocografia de Categoria III?

A Categoria III é caracterizada por variabilidade ausente da frequência cardíaca fetal basal, juntamente com desacelerações tardias recorrentes, desacelerações variáveis recorrentes ou bradicardia. Um padrão sinusoidal também é classificado como Categoria III.

Por que a cesárea de urgência é a conduta mais adequada na Categoria III?

A Categoria III indica um alto risco de acidemia fetal e hipóxia grave, que pode levar a danos neurológicos permanentes ou óbito fetal. A cesárea de urgência é necessária para um parto rápido e para resolver a causa da hipóxia, melhorando o prognóstico fetal.

Quais medidas de reanimação intrauterina podem ser tentadas em padrões menos graves?

Em padrões de Categoria II, medidas como mudança de decúbito materno (lateral esquerdo), hidratação venosa, oxigenoterapia, suspensão de ocitocina e tocolíticos podem ser tentadas para melhorar a oxigenação fetal antes de considerar uma intervenção mais invasiva.

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