FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021
Tercigesta, 32 anos, dois partos normais anteriores, fazia pré-natal em Unidade de Alto Risco devido hipertensão arterial. Está internada em trabalho de parto, 5 cm de dilatação. 3 contrações em 10 minutos de observação e apresentação cefálica. O exame cardiotocográfico abaixo foi realizado agora. De acordo com esses dados, a conduta é:
Cardiotocografia com desacelerações tardias ou variabilidade reduzida em trabalho de parto → sofrimento fetal → cesariana de emergência.
A cardiotocografia é essencial para monitorar o bem-estar fetal durante o trabalho de parto. Padrões anormais, como desacelerações tardias ou perda de variabilidade, indicam sofrimento fetal e demandam intervenção imediata, frequentemente a cesariana de emergência.
A cardiotocografia (CTG) é uma ferramenta fundamental na avaliação do bem-estar fetal durante o trabalho de parto, especialmente em gestações de alto risco, como as complicadas por hipertensão arterial. Ela registra a frequência cardíaca fetal (FCF) e a atividade uterina, permitindo identificar padrões que podem indicar hipóxia fetal e sofrimento. A interpretação correta da CTG é uma habilidade crítica para obstetras e residentes. Os padrões da CTG são classificados em categorias (I, II, III) que guiam a conduta. A categoria III, que inclui variabilidade ausente com desacelerações tardias ou variáveis recorrentes, ou bradicardia fetal, é altamente preditiva de acidemia fetal e requer intervenção imediata. A fisiopatologia do sofrimento fetal agudo geralmente envolve uma diminuição do fluxo sanguíneo uteroplacentário, levando à hipóxia e acidose fetal. Diante de um padrão de CTG de Categoria III, a conduta é a reanimação intrauterina (reposicionamento materno, oxigênio, hidratação) e, se não houver melhora rápida, a interrupção da gestação por cesariana de emergência. O objetivo é evitar danos neurológicos permanentes ou óbito fetal. O prognóstico depende da rapidez e eficácia da intervenção.
Os padrões mais preocupantes incluem desacelerações tardias (associadas a insuficiência uteroplacentária), desacelerações variáveis graves e persistentes, bradicardia fetal prolongada e perda de variabilidade da linha de base.
A cesariana de emergência é indicada quando há evidências persistentes de sofrimento fetal agudo, como desacelerações tardias recorrentes, bradicardia fetal prolongada ou variabilidade ausente, que não respondem a medidas de reanimação intrauterina.
Medidas de reanimação intrauterina incluem reposicionamento materno (decúbito lateral esquerdo), oxigenação materna, hidratação venosa e, se houver taquissistolia, tocolíticos. Se não houver melhora, a intervenção cirúrgica é necessária.
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