Ascite: GASA e Proteínas para Diagnóstico Diferencial

UFCG/HUAC - Hospital Universitário Alcides Carneiro - Campina Grande (PB) — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 48 anos, internado para investigação de ascite de surgimento recente. É hipertenso, diabético e etilista de grande monta. Na admissão, realizado paracentese diagnóstica. A análise do líquido revelou: pH=8,0; Glicose=75 mg/dl; Proteínas totais=3,2 g/dl e albumina=2,4 d/dl. A dosagem da albumina sérica é 3,7 d/dl. Qual o diagnóstico mais provável deste paciente?

Alternativas

  1. A) Cirrose hepática.
  2. B) Carcinomatose peritoneal.
  3. C) Tuberculose peritoneal.
  4. D) Pericardite constrictiva.
  5. E) Síndrome nefrótica.

Pérola Clínica

Ascite com GASA alto (≥1,1 g/dL) e proteínas totais altas (>2,5 g/dL) → pensar em pericardite constrictiva ou ICC.

Resumo-Chave

O Gradiente Soro-Ascite de Albumina (GASA) é fundamental para diferenciar a causa da ascite. Um GASA alto (≥1,1 g/dL) indica hipertensão portal. Quando combinado com proteínas totais elevadas no líquido ascítico (>2,5 g/dL), sugere causas de hipertensão portal de origem cardíaca, como pericardite constritiva ou insuficiência cardíaca direita.

Contexto Educacional

A ascite é o acúmulo patológico de líquido na cavidade peritoneal e representa um desafio diagnóstico comum na prática clínica. A paracentese diagnóstica é fundamental para determinar a etiologia, e a análise do líquido ascítico, especialmente o Gradiente Soro-Ascite de Albumina (GASA) e as proteínas totais, são os pilares dessa investigação. O GASA é calculado pela diferença entre a albumina sérica e a albumina do líquido ascítico. Um GASA ≥ 1,1 g/dL indica ascite por hipertensão portal. No caso apresentado, GASA = 3,7 (sérica) - 2,4 (ascítica) = 1,3 g/dL. Este valor é ≥ 1,1 g/dL, confirmando a presença de hipertensão portal. Além do GASA, a dosagem das proteínas totais no líquido ascítico é crucial. Proteínas totais > 2,5 g/dL, em um contexto de GASA alto, são características de causas de hipertensão portal de origem cardíaca, como a pericardite constritiva ou insuficiência cardíaca direita grave. A cirrose hepática, embora cause GASA alto, tipicamente apresenta proteínas ascíticas baixas (< 2,5 g/dL). Carcinomatose e tuberculose peritoneal geralmente cursam com GASA baixo. Portanto, a combinação de GASA alto e proteínas ascíticas elevadas no paciente etilista com ascite de surgimento recente aponta fortemente para pericardite constritiva como o diagnóstico mais provável. Para provas de residência, é crucial dominar a interpretação do GASA e das proteínas do líquido ascítico para diferenciar as diversas causas de ascite, pois essa análise direciona a investigação e o tratamento.

Perguntas Frequentes

Como calcular o Gradiente Soro-Ascite de Albumina (GASA) e qual sua interpretação?

O GASA é calculado subtraindo a albumina do líquido ascítico da albumina sérica (GASA = Albumina sérica - Albumina ascítica). Um GASA ≥ 1,1 g/dL sugere hipertensão portal (ex: cirrose, insuficiência cardíaca), enquanto um GASA < 1,1 g/dL sugere causas não relacionadas à hipertensão portal.

Quais são as principais causas de ascite com GASA alto e proteínas ascíticas elevadas?

As principais causas de ascite com GASA alto (≥1,1 g/dL) e proteínas ascíticas elevadas (>2,5 g/dL) são condições que causam hipertensão portal por congestão sistêmica, como insuficiência cardíaca direita grave e pericardite constritiva.

Por que a pericardite constritiva causa ascite com GASA alto e proteínas altas?

A pericardite constritiva leva à insuficiência cardíaca direita e congestão venosa sistêmica, incluindo o sistema porta. Isso resulta em um GASA alto. As proteínas ascíticas são elevadas devido à congestão crônica e ao aumento da permeabilidade capilar no peritônio, diferenciando-a da cirrose hepática descompensada que tipicamente tem proteínas ascíticas baixas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo