UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024
Mulher, 32 anos, está em acompanhamento dermatológico devido “queda de cabelo acentuada”, e em uso de fórmula com “vitaminas” comprada na internet, por conta própria. Na avaliação bioquímica inicial, o médico detectou a presença de TSH suprimido, mas a paciente não apresentava nenhuma outra manifestação sugestiva de tireotoxicose. A substância em uso na fórmula da paciente que pode interferir em diversos ensaios laboratoriais hormonais e deve ser suspensa 72h antes de uma nova coleta de sangue é:
Biotina pode suprimir TSH e alterar outros hormônios em exames laboratoriais; suspender 72h antes da coleta.
A biotina, frequentemente usada em suplementos para cabelo e unhas, pode causar interferência em diversos imunoensaios, levando a resultados falsamente elevados ou suprimidos de hormônios como TSH, T4 livre e cortisol. É crucial orientar a suspensão do suplemento por pelo menos 72 horas antes da coleta para evitar diagnósticos errôneos e condutas inadequadas.
A interferência da biotina em exames laboratoriais é um tópico de crescente importância na prática clínica, especialmente com o aumento do uso de suplementos alimentares. A biotina, uma vitamina do complexo B, é um cofator essencial em diversas reações metabólicas e é frequentemente utilizada em altas doses em suplementos para saúde da pele, cabelo e unhas. No entanto, sua estrutura pode mimetizar ou competir com reagentes em imunoensaios baseados na interação biotina-estreptavidina, levando a resultados laboratoriais falsos que podem induzir a erros diagnósticos e terapêuticos. Clinicamente, a interferência da biotina pode causar resultados de TSH falsamente baixos e de T4 livre falsamente elevados, simulando um quadro de tireotoxicose. Outros hormônios, como o PTH e o cortisol, também podem ser afetados. A suspeita deve surgir em pacientes assintomáticos com resultados laboratoriais discrepantes ou em uso de suplementos. A fisiopatologia envolve a competição da biotina exógena com a biotina ligada aos anticorpos ou analitos nos kits de ensaio, alterando a leitura. O diagnóstico é confirmado pela repetição dos exames após a suspensão da biotina. A conduta mais adequada é sempre questionar o paciente sobre o uso de suplementos antes da coleta de exames hormonais e, se houver uso de biotina, orientar a suspensão por no mínimo 72 horas. A conscientização sobre essa interferência é crucial para evitar investigações desnecessárias, tratamentos inadequados e ansiedade para o paciente, garantindo uma interpretação correta dos resultados laboratoriais e um manejo clínico seguro e eficaz.
A biotina pode afetar uma ampla gama de imunoensaios, incluindo os de hormônios tireoidianos (TSH, T3, T4), paratormônio (PTH), gonadotrofinas (FSH, LH), cortisol e marcadores cardíacos como troponina. A interferência pode levar a resultados falsamente elevados ou diminuídos, dependendo do ensaio.
Geralmente, recomenda-se a suspensão da biotina por pelo menos 72 horas (3 dias) antes da coleta de sangue para exames laboratoriais. Em alguns casos de doses muito altas, pode ser necessário um período de suspensão mais longo, de até uma semana, para garantir a eliminação completa e evitar interferências.
A diferenciação é feita pela ausência de sintomas clínicos de tireotoxicose, apesar do TSH suprimido, e pela normalização dos resultados dos exames após a suspensão adequada da biotina. Em casos de dúvida, a dosagem de TSH por métodos que não utilizam biotina pode ser uma alternativa, se disponível.
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