Interações Medicamentosas: AINEs e ISRS e Risco de Sangramento

AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2020

Enunciado

Interações medicamentosas correspondem à capacidade de um medicamento modificar a ação de outro administrado sucessivamente ou simultaneamente. Vários estudos têm descrito a polifarmácia como fator de risco para interações medicamentosas em idosos. Selecione a alternativa correta que mostra, respectivamente, a associação medicamentosa e o risco e complicações associadas.

Alternativas

  1. A)  Ácido acetil salicílico e Varfarina - Hiperpotassemia.
  2. B)  Sinvastatina e verapamil - Hipotensão ortostática.
  3. C)  Digoxina e espironolactona - Insuficiência renal.
  4. D)  Anti-inflamatórios não hormonais e fluoxetina - Sangramento.

Pérola Clínica

AINEs + Fluoxetina (ISRS) = ↑ risco de sangramento gastrointestinal.

Resumo-Chave

A associação de anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) com inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como a fluoxetina, aumenta significativamente o risco de sangramento, especialmente gastrointestinal, devido a mecanismos distintos que afetam a hemostasia.

Contexto Educacional

As interações medicamentosas representam um desafio significativo na prática clínica, especialmente em pacientes idosos devido à polifarmácia. A idade avançada altera a farmacocinética e a farmacodinâmica dos fármacos, tornando os idosos mais suscetíveis a reações adversas e interações. É crucial que o médico esteja atento às combinações de medicamentos para prevenir complicações graves e otimizar a terapia. A polifarmácia é um fator de risco independente para interações medicamentosas clinicamente relevantes. A combinação de anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) com inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como a fluoxetina, é um exemplo clássico de interação que aumenta o risco de sangramento. Os AINEs inibem a ciclooxigenase, reduzindo a produção de prostaglandinas e tromboxano A2, o que afeta a agregação plaquetária e a integridade da mucosa gástrica. Os ISRS, por sua vez, podem diminuir a concentração de serotonina nas plaquetas, comprometendo sua função e potencializando o efeito antiplaquetário dos AINEs. A monitorização cuidadosa e a educação do paciente são fundamentais para evitar complicações. Ao prescrever medicamentos para idosos, deve-se sempre revisar a lista completa de fármacos em uso, incluindo os de venda livre e fitoterápicos, e considerar alternativas terapêuticas quando o risco de interação for elevado. A prevenção de sangramentos gastrointestinais em pacientes de risco pode incluir o uso de inibidores da bomba de prótons (IBP) e a escolha de fármacos com menor potencial de interação.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais riscos da polifarmácia em idosos?

A polifarmácia em idosos aumenta o risco de interações medicamentosas, reações adversas, falha terapêutica e hospitalizações, devido a alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas relacionadas à idade.

Por que a combinação de AINEs e ISRS aumenta o risco de sangramento?

AINEs inibem a agregação plaquetária e a proteção da mucosa gástrica, enquanto ISRS podem reduzir a captação de serotonina pelas plaquetas, prejudicando a hemostasia e aumentando o risco de sangramento, especialmente gastrointestinal.

Quais outras interações medicamentosas comuns devem ser monitoradas em idosos?

Outras interações importantes incluem varfarina com AAS (sangramento), digoxina com amiodarona (toxicidade da digoxina), estatinas com inibidores de CYP3A4 (rabdomiólise) e diuréticos com IECA (insuficiência renal/hiperpotassemia).

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