HIV e Tuberculose: Ajuste de Dolutegravir na Coinfecção

INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 25 anos, masculino, em terapia antirretroviral com dolutegravir, lamivudina e tenofovir há dois anos é diagnosticado com tuberculose pulmonar. A respeito deste caso, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Deve-se interromper o tratamento anti-HIV, retomando-o em quatro semanas, com dolutegravir em dose dobrada até 15 dias após o fim do esquema antituberculose.
  2. B) Deve-se interromper o tratamento anti-HIV, retomando-o em oito semanas, com dolutegravir em dose dobrada até 15 dias após o fim do esquema antituberculose.
  3. C) Deve-se manter o tratamento anti-HIV, dobrando a dose do dolutegravir até 15 dias após o fim do esquema antituberculose.
  4. D) Deve-se manter o tratamento anti-HIV, dobrando a dose do dolutegravir até o dia do fim do esquema antituberculose.
  5. E) Deve-se interromper o tratamento anti-HIV, retomando-o em seis semanas, com dolutegravir em dose dobrada até o dia do fim do esquema antituberculose.

Pérola Clínica

HIV + TB em TARV com dolutegravir → manter TARV, dobrar dose dolutegravir até 15 dias pós-TB.

Resumo-Chave

A rifampicina, componente essencial do tratamento da tuberculose, é um potente indutor enzimático. Isso acelera o metabolismo do dolutegravir, exigindo o ajuste de dose para manter níveis terapêuticos e evitar falha virológica, sem interromper a TARV.

Contexto Educacional

A coinfecção por HIV e tuberculose (TB) representa um desafio significativo na prática clínica, especialmente devido às complexas interações medicamentosas entre a terapia antirretroviral (TARV) e os fármacos antituberculose. A tuberculose é uma das principais causas de morbimortalidade em pessoas vivendo com HIV, e o manejo adequado de ambas as condições é crucial para o sucesso terapêutico. Um dos pontos mais críticos é a interação da rifampicina, um componente fundamental da maioria dos esquemas antituberculose, com diversos antirretrovirais. A rifampicina é um potente indutor enzimático, principalmente do citocromo P450 e da UGT1A1, o que acelera o metabolismo de muitos ARVs, incluindo o dolutegravir. Essa interação pode levar a níveis plasmáticos subterapêuticos dos ARVs, comprometendo a eficácia da TARV e aumentando o risco de falha virológica e resistência. Para pacientes em uso de dolutegravir que iniciam tratamento para TB com rifampicina, a recomendação é manter a TARV e ajustar a dose do dolutegravir, dobrando-a (50mg 12/12h) durante todo o período de uso da rifampicina e estendendo por 15 dias após o término do esquema antituberculose. Essa estratégia visa compensar a indução enzimática e garantir concentrações terapêuticas adequadas do dolutegravir, assegurando a supressão viral do HIV enquanto se trata a TB.

Perguntas Frequentes

Por que a rifampicina interage com o dolutegravir?

A rifampicina é um potente indutor do citocromo P450 e da UGT1A1, enzimas que metabolizam o dolutegravir. Essa indução acelera o clearance do dolutegravir, diminuindo suas concentrações plasmáticas.

Qual a conduta recomendada para pacientes em TARV com dolutegravir que desenvolvem tuberculose?

Deve-se manter a TARV e dobrar a dose do dolutegravir (de 50mg para 50mg 12/12h) durante todo o período de uso da rifampicina, estendendo por 15 dias após o término do esquema antituberculose.

Quais os riscos de não ajustar a dose do dolutegravir na coinfecção HIV-TB?

A não adequação da dose pode resultar em níveis subterapêuticos de dolutegravir, levando à falha virológica do tratamento do HIV e ao risco de desenvolvimento de resistência aos antirretrovirais.

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