HOC - Hospital de Olhos do Tocantins (TO) — Prova 2019
Qual dos seguintes conjuntos de interação medicamentosa e mecanismo são descritos com precisão?
Sildenafil + nitratos = hipotensão grave, devido à inibição da PDE5 pelo sildenafil e aumento do GMPc.
A interação entre sildenafil e nitroglicerina é clinicamente significativa e potencialmente fatal. O sildenafil inibe a fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), enzima que degrada o monofosfato de guanosina cíclico (GMPc). A nitroglicerina, por sua vez, aumenta a produção de GMPc. A combinação resulta em acúmulo excessivo de GMPc, levando a uma vasodilatação intensa e hipotensão grave.
As interações medicamentosas representam um desafio significativo na prática clínica, podendo levar a eventos adversos graves ou falha terapêutica. A compreensão dos mecanismos farmacocinéticos e farmacodinâmicos é essencial para prevenir tais ocorrências. A questão aborda interações importantes, destacando a combinação de sildenafil e nitroglicerina como um exemplo clássico de interação perigosa devido a efeitos farmacodinâmicos sinérgicos. O sildenafil é um inibidor seletivo da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), uma enzima que degrada o monofosfato de guanosina cíclico (GMPc). O GMPc é um segundo mensageiro que promove o relaxamento da musculatura lisa vascular, levando à vasodilatação. A nitroglicerina, por sua vez, é um nitrato que atua liberando óxido nítrico (NO), que ativa a guanilato ciclase, resultando em um aumento da produção de GMPc. Quando sildenafil e nitroglicerina são usados concomitantemente, a inibição da degradação do GMPc pelo sildenafil e o aumento da sua produção pela nitroglicerina levam a um acúmulo excessivo de GMPc. Este acúmulo resulta em uma vasodilatação sistêmica potente e descontrolada, culminando em hipotensão grave, que pode ser fatal. Outras interações mencionadas incluem ibuprofeno e varfarina, onde o ibuprofeno (um AINE) aumenta o risco de sangramento gastrointestinal e pode deslocar a varfarina de suas proteínas plasmáticas, potencializando seu efeito anticoagulante, mas a inibição do CYP2C9 não é o principal mecanismo de interação para o sangramento. Sotalol e furosemida podem aumentar o risco de prolongamento do intervalo QT e torsades de pointes devido a distúrbios eletrolíticos induzidos pela furosemida, mas não por inibição do CYP3A4. Ritonavir e lovastatina, por sua vez, interagem via inibição do CYP3A4 pelo ritonavir, aumentando os níveis de lovastatina e o risco de miotoxicidade, não via CYP2C19. Portanto, a interação sildenafil-nitroglicerina é a única descrita com precisão em seu mecanismo e consequência.
O sildenafil inibe a fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), enzima responsável pela degradação do monofosfato de guanosina cíclico (GMPc) nos corpos cavernosos e vasos sanguíneos. A nitroglicerina, um nitrato, libera óxido nítrico, que estimula a produção de GMPc. A combinação resulta em um acúmulo excessivo de GMPc, potencializando a vasodilatação e causando hipotensão severa.
Os principais riscos clínicos da combinação de sildenafil e nitratos incluem hipotensão grave, síncope, choque cardiogênico, infarto do miocárdio e até morte. Devido a esses riscos, o uso concomitante de sildenafil (e outros inibidores da PDE5) com qualquer forma de nitrato é absolutamente contraindicado.
Devido à meia-vida do sildenafil, os nitratos devem ser evitados por pelo menos 24 horas após a última dose de sildenafil. Para outros inibidores da PDE5 com meia-vida mais longa, como o tadalafila, o período de abstenção pode ser de até 48 horas ou mais, dependendo da dose e da função renal do paciente.
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