INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Uma mulher com 25 anos de idade, casada, atendida em uma Unidade Básica de Saúde, queixa-se de sangramentos intermenstruais nos últimos meses. A paciente relata que mudou de contraceptivo hormonal oral (CHO) por sua própria iniciativa há 3 meses: usava CHO composto por etinilestradiol 35 mcg em associação com acetato de ciproterona 2 mg e mudou para CHO composto por etinilestradiol 20 mcg em associação com gestodeno 75 mcg. Ela tem como antecedentes relevantes ser multigesta (2 partos normais, o último há 3 anos) e apresenta quadro de convulsões tônico-cônicas controladas com o uso de anticonvulsivante fenitoína 300 mg ao dia. Diante desse quadro clínico, a orientação que deve ser dada à paciente para corrigir o problema é
Fenitoína é indutor enzimático hepático → ↓ eficácia de CHO → contraindicação a CHO oral.
A fenitoína é um potente indutor enzimático hepático que acelera o metabolismo dos hormônios dos contraceptivos orais, reduzindo sua eficácia e aumentando o risco de sangramentos de escape e falha contraceptiva. Portanto, contraceptivos orais combinados são contraindicados para mulheres em uso de fenitoína.
A escolha do método contraceptivo para mulheres em uso de medicamentos que interagem com contraceptivos hormonais é um desafio clínico importante. A fenitoína, um anticonvulsivante amplamente utilizado, é um potente indutor enzimático hepático, particularmente das enzimas do citocromo P450. Essa indução enzimática acelera o metabolismo dos hormônios estrogênio e progestagênio presentes nos contraceptivos hormonais orais (CHO), resultando em níveis séricos reduzidos e, consequentemente, em diminuição da eficácia contraceptiva. A redução da eficácia dos CHO em mulheres que utilizam fenitoína aumenta o risco de falha contraceptiva e de sangramentos intermenstruais, como o relatado pela paciente. Diante dessa interação, os contraceptivos hormonais orais combinados são contraindicados. A orientação adequada deve ser a substituição por um método contraceptivo que não sofra interferência significativa da fenitoína. Nesse contexto, os métodos contraceptivos não hormonais, como o Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre, são opções seguras e altamente eficazes. O DIU hormonal (levonorgestrel) também pode ser uma alternativa, pois sua ação é predominantemente local, minimizando a interação sistêmica. É fundamental que o médico esteja ciente dessas interações para oferecer a melhor e mais segura opção contraceptiva à paciente, evitando gestações indesejadas e garantindo o controle adequado de sua condição de base.
A fenitoína é um potente indutor das enzimas hepáticas do citocromo P450, que metabolizam os hormônios dos contraceptivos orais. Isso leva a uma redução significativa dos níveis séricos dos hormônios, diminuindo a eficácia contraceptiva e aumentando o risco de sangramentos de escape e gravidez indesejada.
Métodos contraceptivos não hormonais, como o DIU de cobre, são opções seguras. Métodos hormonais que não são metabolizados pelo citocromo P450 ou que liberam hormônios localmente em doses mais altas, como o DIU hormonal (levonorgestrel), também podem ser considerados, mas a eficácia pode ser reduzida para alguns métodos hormonais sistêmicos.
Os principais riscos são a falha do método contraceptivo, resultando em gravidez indesejada, e a ocorrência de sangramentos irregulares ou de escape devido à ineficácia do controle hormonal do ciclo menstrual. Além disso, a fenitoína pode ter seus níveis séricos alterados por estrogênios, exigindo monitoramento.
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