Interação Medicamentosa: Fenobarbital e Anticoncepcionais Orais

PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2018

Enunciado

Assinale a alternativa que relata de forma correta um problema que pode ter acontecido em decorrência de interação medicamentosa.

Alternativas

  1. A) Maria, 67 anos, tem problema de esteoporose e faz uso de Alendronato, contudo, vem queixando de azia e tosse constante. O médico então decidiu introduzir omeprazol e bromoprida para minimizar os efeitos do alendronato ao reduzir a sua absorção.
  2. B) Nilton, 42 anos, descobriu que tem hipertensão arterial sistêmica há 2 anos e devido aos níveis pressóricos que não obtiveram controle com somente hidroclorotiazida, fora associado Enalapril. Após 1 semana em uso, retornou ao médico queixando de tosse. Esse efeito acontece devido à interação positiva destas medicações, aumentando os efeitos colaterais do IECA.
  3. C) Samanta, 22 anos, tem diagnóstico de epilepsia e há vários anos está bem controlada com uso de fenobarbital. Casou-se há 6 meses e estava em uso de etinilestradiol em associação com levonorgestrel para contracepção (oral), mas descobriu que estava grávida há 3 dias. Isso pode ter ocorrido devido ao aumento da metabolização hepática do anticoncepcional com consequente diminuição da eficácia dos mesmos quando em associação com o anticonvulsivante.
  4. D) Edison, 50 anos, tem arritmia cardíaca e fora indicado o uso de Propranolol. Na infância, ele apresentava crises constantes de asma. No segundo dia de uso do remédio, apresentou uma forte crise de broncoespasmo e procurou o pronto-socorro, onde fizeram nebulização com Fenoterol. Durante a nebulização, sentiu o coração disparar. Isso aconteceu devido ao fenoterol bloquear os receptores dos betabloqueadores e inibir o efeito destas medicações, aumentando a frequência cardíaca.

Pérola Clínica

Fenobarbital é indutor enzimático hepático, ↓ eficácia de anticoncepcionais orais, ↑ risco de gravidez.

Resumo-Chave

O fenobarbital é um potente indutor enzimático hepático (citocromo P450), acelerando o metabolismo de outros fármacos, como os componentes dos anticoncepcionais orais (etinilestradiol e levonorgestrel), resultando na diminuição de sua concentração plasmática e, consequentemente, na falha contraceptiva.

Contexto Educacional

As interações medicamentosas representam um desafio significativo na prática clínica, podendo levar a falhas terapêuticas ou toxicidade. A interação entre anticonvulsivantes e anticoncepcionais orais é um exemplo clássico e de grande importância, especialmente para mulheres em idade fértil com epilepsia. O fenobarbital, um anticonvulsivante amplamente utilizado, é um potente indutor enzimático. A fisiopatologia dessa interação reside na capacidade do fenobarbital de induzir as enzimas do citocromo P450 no fígado, que são responsáveis pelo metabolismo de muitos fármacos, incluindo os componentes hormonais dos anticoncepcionais orais (como etinilestradiol e levonorgestrel). Ao acelerar o metabolismo desses hormônios, o fenobarbital diminui suas concentrações plasmáticas, reduzindo drasticamente a eficácia contraceptiva. Para pacientes epilépticas em uso de indutores enzimáticos, é crucial a escolha de um método contraceptivo alternativo ou a adaptação da dosagem. Métodos não hormonais (DIU de cobre) ou hormonais que bypassam o metabolismo de primeira passagem hepática (como implantes ou DIU hormonal) são frequentemente preferidos. A falha em reconhecer essa interação pode resultar em gravidez não planejada, com implicações para a saúde da mãe e do feto, dada a teratogenicidade de alguns anticonvulsivantes.

Perguntas Frequentes

Como o fenobarbital afeta a eficácia dos anticoncepcionais orais?

O fenobarbital é um indutor potente das enzimas hepáticas do citocromo P450, que metabolizam os hormônios dos anticoncepcionais orais, diminuindo suas concentrações plasmáticas e, consequentemente, sua eficácia contraceptiva.

Quais outros medicamentos podem interagir com anticoncepcionais orais?

Além de alguns anticonvulsivantes (como carbamazepina, fenitoína), outros indutores enzimáticos (rifampicina, griseofulvina) e até mesmo alguns antibióticos (embora a evidência seja mais fraca para a maioria) podem reduzir a eficácia dos anticoncepcionais.

Qual a conduta para pacientes epilépticas em uso de anticonvulsivantes indutores enzimáticos que desejam contracepção?

Recomenda-se o uso de métodos contraceptivos não hormonais (DIU de cobre) ou métodos hormonais de alta dose ou não orais (DIU hormonal, implante, injeção) que não sofram tanto com a indução enzimática, ou ainda anticoncepcionais orais com doses mais elevadas de estrogênio, sob orientação médica.

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