UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Mulher, 34 anos de idade, IIG II Partos normais, refere estar em tratamento de transtorno bipolar há 2 anos, em uso de lamotrigina. Qual é o método contraceptivo mais adequado?
Estrogênio ↓ níveis de Lamotrigina → Risco de descompensação do Transtorno Bipolar.
O etinilestradiol induz a glicuronidação da lamotrigina, reduzindo sua concentração sérica em até 50%, o que pode desencadear crises em pacientes bipolares ou epilépticas.
A escolha do método contraceptivo em mulheres com transtorno bipolar exige cautela devido às interações medicamentosas e ao impacto dos hormônios no humor. A lamotrigina é um estabilizador de humor amplamente utilizado, mas sua farmacocinética é extremamente sensível a hormônios exógenos, especialmente o estrogênio. O uso de anticoncepcionais orais combinados (AOC) pode reduzir drasticamente sua eficácia terapêutica. Além disso, durante a 'semana de pausa' dos AOCs, os níveis de lamotrigina podem subir bruscamente, aumentando o risco de toxicidade (tontura, diplopia, ataxia). Portanto, métodos contínuos ou progestogênios isolados, como a medroxiprogesterona injetável ou o DIU, são preferíveis para manter a estabilidade clínica da paciente e evitar gestações não planejadas em um contexto de uso de medicações potencialmente teratogênicas.
O etinilestradiol, presente na maioria dos anticoncepcionais combinados, aumenta a atividade da enzima UDP-glucuronosiltransferase (UGT1A4), responsável pelo metabolismo da lamotrigina. Isso resulta em uma redução significativa (cerca de 50%) nos níveis plasmáticos da lamotrigina, podendo levar à perda do controle das crises convulsivas ou episódios de humor no transtorno bipolar.
A medroxiprogesterona de depósito (trimestral) é um método apenas de progestogênio que não possui o mesmo efeito indutor metabólico sobre a lamotrigina que os estrogênios. Além disso, oferece alta eficácia contraceptiva e não exige adesão diária, o que é benéfico em pacientes com transtornos psiquiátricos que podem ter dificuldade com a posologia diária ou esquecimentos.
Além da medroxiprogesterona, métodos de longa ação (LARCs) como o DIU de cobre ou o DIU de levonorgestrel são excelentes opções, pois minimizam interações sistêmicas e garantem alta eficácia. O implante de etonogestrel também pode ser considerado, embora a interação com anticonvulsivantes indutores precise sempre ser verificada (o que não é o caso da lamotrigina, que não é indutora forte).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo