INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Uma mulher com 28 anos de idade recebe a visita em sua residência de uma Agente Comunitária de Saúde (ACS), pois está completando 28 semanas de gestação e ainda não compareceu a nenhuma consulta de pré-natal. Tem outros 2 filhos, um com 2 anos de idade e outro com 8 anos de idade. Refere que não trabalha e não comparece ao pré-natal porque não tem com quem deixar os filhos. Diz depender de doações para sobreviver. No momento da visita, refere disúria e polaciúria. Posteriormente, em reunião de equipe, a ACS coloca o caso em discussão e a equipe decide realizar as seguintes ações: visita da auxiliar de enfermagem e enfermeira no mesmo dia para examinar a paciente e coletar a urina e sangue; visita da médica da equipe na semana seguinte; acionar o Serviço Social para que oriente a paciente a respeito de benefícios assistenciais e da possibilidade de inserir a criança de 2 anos de idade em creche e a de 8 anos de idade em escola. Considerando a situação apresentada, as ações programadas pela equipe de saúde estão orientadas por qual princípio do SUS?
Integralidade = Atendimento biopsicossocial + articulação de diferentes níveis de complexidade.
A integralidade pressupõe que a equipe de saúde deve olhar além da queixa biológica, articulando ações sociais e preventivas para garantir o bem-estar total do indivíduo.
O Sistema Único de Saúde (SUS) é fundamentado em princípios que visam garantir uma assistência digna e eficiente. A Integralidade, especificamente, desafia o modelo biomédico tradicional ao exigir que os profissionais de saúde considerem os determinantes sociais — como moradia, educação e renda — como parte intrínseca do processo saúde-doença. Na Estratégia Saúde da Família (ESF), a integralidade é operacionalizada através do trabalho em equipe e da clínica ampliada. O caso clínico demonstra que o sucesso do pré-natal de uma gestante vulnerável depende menos da prescrição de vitaminas e mais da organização de sua vida social e familiar. Ao articular vagas em creches e suporte do serviço social, a equipe de saúde está exercendo a integralidade, garantindo que o cuidado seja contínuo e que as barreiras de acesso sejam superadas de forma humanizada.
A integralidade é um princípio doutrinário do SUS que possui três dimensões principais: a visão holística do indivíduo (considerando aspectos biológicos, psicológicos e sociais), a organização dos serviços (garantindo acesso a todos os níveis de complexidade, da prevenção à reabilitação) e a articulação de políticas públicas intersetoriais. Na prática, significa que o sistema de saúde não deve apenas tratar uma doença isolada, mas compreender as necessidades globais do paciente. Isso envolve desde o tratamento de uma infecção urinária até a garantia de que uma gestante tenha suporte social para realizar seu pré-natal, integrando ações de promoção, proteção e recuperação da saúde de forma contínua e coordenada.
No caso da gestante de 28 semanas, a equipe aplica a integralidade ao não se limitar ao tratamento da disúria e polaciúria (queixa biológica). A equipe identifica barreiras sociais (falta de rede de apoio para os filhos e vulnerabilidade econômica) que impedem o acesso ao pré-natal. As ações programadas — visita domiciliar para exames, acionamento do serviço social e articulação para vagas em creche e escola — demonstram a compreensão de que a saúde da paciente depende da resolução de seus problemas sociais. Essa abordagem multiprofissional e intersetorial é a essência da integralidade, buscando resolver as causas fundamentais do absenteísmo ao cuidado de saúde e promovendo o bem-estar da família como um todo.
Embora sejam princípios complementares, eles focam em aspectos diferentes. A Universalidade refere-se ao direito de todos os cidadãos ao acesso aos serviços de saúde, sem discriminação; é a garantia de que a porta está aberta para todos. Já a Integralidade refere-se à qualidade e à abrangência desse atendimento. Enquanto a universalidade diz 'quem' pode ser atendido, a integralidade diz 'como' esse atendimento deve ser feito: de forma completa, atendendo a todas as necessidades do indivíduo, integrando prevenção e cura, e articulando o cuidado entre diferentes profissionais e setores da sociedade. A integralidade combate a fragmentação da assistência à saúde.
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