HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2018
JCS, 52 anos, procura a UBS Ribeirinha para atendimento. Ao contar sua história para o médico de família que atende na UBS, relata ser hipertenso de longa data, fazendo uso de diversas medicações (diz que, eventualmente, esquece- se de tomar, pois são muitas), ser fumante e ingerir cerveja no fim de semana (quantidade variável). Por um momento na consulta, demonstrou-se bastante desconfortável, chorando inclusive, dizendo estar impotente e que sua mulher não o queria mais. Preocupado com o paciente, o médico faz nova prescrição medicamentosa acrescentando um antidepressivo, solicita alguns exames complementares, diz para o mesmo que isso é uma fase da vida e que irá passar e marca retorno para quando os exames estiverem prontos. De acordo com o texto e com os preceitos do exercício médico na Estratégia de Saúde de Família, pode-se afirmar com relação à consulta:
ESF: Cuidado integral exige abordagem biopsicossocial, comunicação ativa e manejo além da prescrição, focando no contexto do paciente.
A Estratégia Saúde da Família (ESF) preconiza a integralidade do cuidado, que vai além da doença física, englobando aspectos psicossociais e o contexto de vida do paciente. Apenas prescrever um antidepressivo sem uma interação aprofundada sobre o sofrimento emocional não reflete uma abordagem integral e centrada na pessoa.
A Estratégia Saúde da Família (ESF) é o modelo prioritário de organização da Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil, fundamentada em princípios como a integralidade, a longitudinalidade, a coordenação do cuidado e a centralidade na pessoa. A integralidade do cuidado é um dos pilares, preconizando que o profissional de saúde deve olhar o indivíduo em sua totalidade, considerando suas dimensões biológica, psicológica, social e cultural, e não apenas a doença. No caso apresentado, o médico, apesar de demonstrar preocupação com a doença crônica e a saúde mental do paciente ao prescrever um antidepressivo e solicitar exames, falhou em aplicar a integralidade de forma ampliada. A abordagem 'isso é uma fase da vida e que irá passar' e a falta de uma interação mais aprofundada para analisar o contexto geral dos problemas do paciente (impotência, problemas conjugais, adesão medicamentosa, tabagismo, alcoolismo) demonstram uma lacuna no cuidado emocional e na compreensão do sofrimento do usuário. Um cuidado verdadeiramente integral e centrado na pessoa exige escuta ativa, acolhimento, estabelecimento de vínculo e a construção de um plano terapêutico compartilhado que considere as necessidades e expectativas do paciente em seu ambiente. Apenas a prescrição medicamentosa, sem essa interação e compreensão do contexto, pode ser vista como uma abordagem fragmentada, que não explora o potencial terapêutico da relação médico-paciente e não aborda a complexidade dos problemas de saúde do indivíduo.
A integralidade do cuidado na ESF significa abordar o indivíduo em sua totalidade, considerando não apenas a doença física, mas também seus aspectos psicológicos, sociais, culturais e ambientais, promovendo ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação.
A comunicação eficaz é crucial para estabelecer vínculo, confiança e permitir que o paciente expresse suas preocupações e necessidades. Ela facilita a compreensão do contexto de vida do paciente e a construção conjunta de um plano de cuidado que vá além da doença.
No modelo centrado na pessoa, o médico deve ir além do diagnóstico e da prescrição de medicamentos, buscando entender o sofrimento do paciente em seu contexto de vida, oferecendo escuta qualificada, apoio emocional e, quando necessário, encaminhamento para outros serviços de saúde mental.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo