HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2020
Sr. Matheus, 52 anos, procura a UBS Ribeirinha para atendimento. Ao contar sua história para o médico de família que atende na UBS, relata ser hipertenso de longa data, fazendo uso de diversas medicações (diz que, eventualmente, esquece-se de tomar, pois são muitas), ser fumante e ingerir cerveja no fim de semana (quantidade variável). Por um momento na consulta, demonstrou-se bastante desconfortável, chorando inclusive, dizendo estar impotente e que sua mulher não o queria mais. Preocupado com o paciente, o médico faz nova prescrição medicamentosa acrescentando um antidepressivo, solicita alguns exames complementares, diz para o mesmo que isso é uma fase da vida e que irá passar e marca retorno para quando os exames estiverem prontos. De acordo com o texto e com os preceitos do exercício médico na Estratégia de Saúde de Família, pode-se afirmar com relação à consulta:
ESF → Integralidade do cuidado: abordar dimensões biológica, psicológica e social, não apenas prescrever.
A Estratégia Saúde da Família (ESF) preconiza uma abordagem integral e centrada na pessoa, que vai além da doença física. O médico deve acolher o sofrimento emocional, explorar o contexto psicossocial do paciente e estabelecer um vínculo terapêutico, em vez de apenas medicar e minimizar os sentimentos.
A Estratégia Saúde da Família (ESF) é o modelo prioritário de organização da Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil, fundamentada em princípios como a integralidade, longitudinalidade, coordenação do cuidado e abordagem centrada na pessoa. A integralidade implica em considerar o indivíduo em todas as suas dimensões – biológica, psicológica e social – e não apenas a doença isoladamente. Este caso ilustra a complexidade do cuidado na APS, onde fatores como hipertensão, tabagismo, etilismo e disfunção sexual se entrelaçam com o sofrimento emocional. A abordagem centrada na pessoa exige que o médico vá além da prescrição medicamentosa. É fundamental estabelecer um vínculo de confiança, acolher o paciente em seu sofrimento, explorar os determinantes sociais e emocionais da saúde e construir um plano terapêutico compartilhado. No caso do Sr. Matheus, a prescrição de um antidepressivo sem uma interação mais profunda sobre o contexto de sua impotência e angústia demonstra uma lacuna na integralidade do cuidado emocional e na aplicação dos preceitos da ESF. O médico de família deve ser capaz de identificar e manejar problemas de saúde mental, oferecendo escuta qualificada, suporte psicossocial e, quando indicado, intervenções farmacológicas, mas sempre contextualizadas. Minimizar o sofrimento do paciente com frases como "isso é uma fase da vida" sem uma exploração aprofundada ou uma intervenção terapêutica mais abrangente, falha em atender à dimensão do cuidado emocional que é inerente à ESF e à abordagem centrada na pessoa.
A integralidade do cuidado na ESF significa que o profissional de saúde deve abordar o paciente em sua totalidade, considerando não apenas a doença física, mas também os aspectos psicossociais, culturais e ambientais que influenciam sua saúde.
A abordagem centrada na pessoa envolve ouvir ativamente o paciente, compreender suas preocupações e expectativas, construir um plano de cuidado compartilhado e reconhecer o impacto da doença em sua vida, indo além do diagnóstico e tratamento puramente biológicos.
O médico de família tem um papel crucial na saúde mental, realizando o acolhimento, identificando sofrimentos psíquicos, oferecendo suporte inicial, realizando intervenções psicossociais básicas e, quando necessário, encaminhando para especialistas, sempre mantendo a coordenação do cuidado.
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