PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2017
Você atende o senhor Marcos, de 55 anos, na unidade de saúde. Ele consulta porque deseja fazer exames de rotina. Marcos faz uso crônico de omeprazol 20 mg e carbonato de cálcio 500 mg ao dia, que iniciou por conta própria para melhorar seus ossos e para evitar dores de estômago. Iniciou também academia há 2 meses, não faz uso de álcool e parou de fumar há 10 anos. Ao examiná-lo verifica PA =120/80 mmHg; IMC = 30kg/m2; circunferência abdominal 106 cm; ausculta cardíaca e pulmonar normais. Você então solicita os exames indicados para Marcos, além de orientá-lo sobre o risco do uso de medicamentos e sobre mudanças no estilo de vida, buscando um aumento na qualidade e na expectativa de vida de Marcos. Sobre o caso acima, analise a alternativa a seguir: Com base no caso clínico apresentado, analise a assertiva a seguir, marcando CERTO para VERDADEIRO/CORRETO e ERRADO para FALSO/INCORRETO. O princípio da atenção primária à saúde que leva em consideração a pessoa como um todo, em todos os níveis de complexidade, é a integralidade.
Integralidade = ver o paciente como um todo (biopsicossocial) em todos os níveis de atenção.
A integralidade exige que o sistema de saúde responda às necessidades do indivíduo de forma holística, integrando ações de promoção, prevenção, cura e reabilitação em todos os níveis de complexidade.
A integralidade é um pilar fundamental para a prática da Medicina de Família e Comunidade. Ela desafia o modelo biomédico tradicional ao exigir que o profissional considere o contexto social, familiar e emocional do paciente. Segundo Barbara Starfield, a integralidade (comprehensiveness) implica que a unidade de saúde deve oferecer uma gama de serviços que atenda à maioria das necessidades de saúde da população adscrita. Na prática clínica, isso significa integrar ações de prevenção primária (como vacinação e orientações de dieta), secundária (rastreamento de câncer), terciária (reabilitação pós-evento) e quaternária (evitar a sobremedicalização). O caso do Sr. Marcos ilustra bem a necessidade de prevenção quaternária ao revisar o uso desnecessário de omeprazol e cálcio, protegendo o paciente de iatrogenias enquanto promove saúde.
A integralidade é um dos atributos essenciais da Atenção Primária à Saúde e um princípio doutrinário do SUS. Ela se manifesta em duas dimensões: a percepção do indivíduo como um ser biopsicossocial (não apenas um conjunto de órgãos ou doenças) e a organização do sistema para oferecer serviços que cubram desde a prevenção até a alta complexidade, conforme a necessidade do paciente.
No caso clínico, a integralidade é aplicada quando o médico não foca apenas na queixa de 'exames de rotina', mas avalia o uso de medicamentos (omeprazol e cálcio), o estilo de vida (academia, cessação do tabagismo), os riscos cardiovasculares (circunferência abdominal e IMC) e orienta sobre qualidade de vida. É o cuidado que olha para a pessoa além do sintoma isolado.
A universalidade garante que todos os cidadãos tenham direito ao acesso aos serviços de saúde sem discriminação. Já a integralidade foca na qualidade e na abrangência desse acesso, garantindo que o cuidado recebido seja completo e atenda a todas as dimensões das necessidades de saúde do indivíduo.
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