USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2016
O médico de família e comunidade (MFC) segue uma paciente de 60 anos, com diabetes há 5 anos. A paciente compareceu à Unidade de Saúde da Família (USF) para seu acompanhamento e relata piora da visão, principalmente, do olho direito. O MFC fez sua consulta e orientou a paciente em relação à manutenção do tratamento da diabetes, na Unidade, no domicílio e no território incluindo grupos de promoção da saúde, oficina culinária, grupo de caminhada, entre outros. Além disso, comunicou que iria solicitar uma consulta com o oftalmologista da rede do SUS, para juntos discutirem a melhor maneira de conduzir o caso. O MFC preencheu a guia de referência para a especialidade de Oftalmologia informando detalhadamente a história clínica da paciente e tudo o que foi realizado no manejo da doença, ao longo do seguimento na USF, por toda a equipe de saúde, A conduta do MFC de encaminhar a paciente ao Oftalmologista está relacionada a qual princípio doutrinário do SUS?
Integralidade no SUS = atenção completa, do básico ao especializado, com comunicação entre níveis.
A integralidade da atenção à saúde, um dos princípios doutrinários do SUS, implica que o indivíduo deve ser visto em sua totalidade, com suas necessidades biológicas, psicológicas e sociais atendidas. O encaminhamento ao oftalmologista para uma complicação da diabetes, com comunicação detalhada, exemplifica a articulação entre os diferentes níveis de atenção para um cuidado completo.
O Sistema Único de Saúde (SUS) é regido por princípios doutrinários e organizativos que visam garantir o direito à saúde para todos os cidadãos brasileiros. Entre os princípios doutrinários, a Integralidade da Atenção à Saúde é um dos pilares, defendendo que o indivíduo deve ser atendido em todas as suas necessidades, considerando-o como um ser biopsicossocial. Isso significa que a saúde não se restringe à ausência de doença, mas abrange a promoção, prevenção, tratamento e reabilitação. A integralidade se manifesta na prática através da oferta de um conjunto de ações e serviços que vão desde a atenção primária até os níveis de maior complexidade, de forma articulada e contínua. O Médico de Família e Comunidade (MFC) desempenha um papel central nesse processo, atuando como coordenador do cuidado, acompanhando o paciente em seu território e, quando necessário, realizando o encaminhamento para especialistas, como o oftalmologista no caso da paciente diabética. Para residentes, compreender a integralidade é fundamental para atuar de forma eficaz no SUS, garantindo que o paciente receba um cuidado abrangente e que a comunicação entre os diferentes níveis de atenção seja fluida. A referência e contrarreferência são ferramentas essenciais para assegurar a continuidade do cuidado e a efetividade da rede de atenção à saúde.
Os princípios doutrinários do SUS são Universalidade (acesso para todos), Equidade (tratamento desigual aos desiguais para reduzir iniquidades) e Integralidade (atenção completa, do preventivo ao curativo, em todos os níveis de complexidade).
Na prática, o MFC atua na promoção, prevenção, tratamento e reabilitação, coordenando o cuidado do paciente na Atenção Primária e articulando com outros níveis de atenção (especialidades, hospitais) através da referência e contrarreferência, garantindo um cuidado contínuo e completo.
A referência e contrarreferência são mecanismos essenciais para a integralidade, pois permitem o fluxo de pacientes entre os diferentes pontos da rede de atenção à saúde, assegurando que o cuidado especializado seja acessado quando necessário e que o acompanhamento retorne à atenção primária.
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