UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020
Uma paciente procurou primeiramente atendimento de um especialista em ouvido, nariz e garganta (ONG) por causa de terríveis dores de cabeça e um autodiagnóstico de sinusite. O médico ONG pediu uma tomografia computadorizada e, depois, receitou esteroides para a sinusite, mas as dores de cabeça da paciente pioraram. Nesse ínterim, ela procurou seu ginecologista para um check-up de rotina, que a aconselhou a parar de tomar as pílulas anticoncepcionais e a encaminhou a um neurologista que diagnosticou enxaqueca e receitou medicamentos para esse problema. Logo em seguida, ela desenvolveu falhas na fala, o que levou o neurologista a aumentar a dose. A não remissão dos sintomas fez com que ela consultasse seu médico de família, que pediu exames para a função da glândula tireoide. Diagnóstico: hipertireoidismo. A paciente agora está assintomática e voltou a trabalhar, tomando medicamentos para seu problema. O caso evidencia a importância dos atributos da atenção primária de:
Integralidade = visão biopsicossocial; Acessibilidade = porta de entrada resolutiva.
A fragmentação do cuidado em especialistas focais sem uma coordenação central (APS) leva a atrasos diagnósticos e tratamentos desnecessários, ferindo a integralidade e a acessibilidade.
A Atenção Primária à Saúde (APS) fundamenta-se em atributos que garantem a eficiência do sistema. O caso clínico demonstra a falha quando o paciente busca especialistas focais (ORL, Ginecologista, Neurologista) sem uma coordenação central. A fragmentação impediu que os sintomas fossem vistos como parte de um quadro sistêmico (hipertireoidismo). A integralidade permitiria uma anamnese ampla, enquanto a acessibilidade à APS como primeiro contato teria centralizado o histórico, facilitando o raciocínio clínico e evitando intervenções iatrogênicas ou desnecessárias.
A integralidade pressupõe que a equipe de saúde deve ser capaz de responder à maioria das necessidades de saúde da população, considerando o indivíduo como um todo (biopsicossocial) e não apenas um conjunto de órgãos. Envolve ações de promoção, prevenção, cura e reabilitação, além de reconhecer necessidades não expressas pelo paciente.
A acessibilidade ou atributo do primeiro contato define a APS como a porta de entrada preferencial do sistema. Quando o paciente acessa primeiro a APS, o médico de família atua como coordenador, evitando a 'peregrinação' por especialistas focais que podem realizar diagnósticos parciais ou tratamentos conflitantes, como visto no caso do hipertireoidismo mimetizando enxaqueca.
Os quatro atributos essenciais são: 1. Acesso de Primeiro Contato (acessibilidade); 2. Longitudinalidade (vínculo ao longo do tempo); 3. Integralidade (abrangência de serviços); 4. Coordenação do Cuidado (integração de informações). Existem também os atributos derivados: Orientação Familiar e Comunitária e Competência Cultural.
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