DM2 Descompensado: Quando Iniciar Insulina e Por Quê?

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 55 anos comparece ao consultório de Clínica Médica para o exame periódico de saúde. Queixa-se de falta de energia, roncos, dificuldade de memorização, poliúria e perda de 5kg em dois meses. Desconhece doenças prévias, nega tabagismo, etilismo ou uso de quaisquer medicamentos. Ao exame físico, apresenta PA 154/94mmHg, FC 76bpm, FR 17irpm, SpO₂ em ar ambiente 92%, peso 90kg, altura 1,50m. Está alerta e orientada, com mucosas coradas e hidratadas. Os exames respiratório e cardiovascular são normais. O abdome é globoso, normotenso e indolor. Exames de laboratório: GJ 323 mg/dL; HbA1C 10,7%; ALT 80U/L; AST 55U/L; BD 1,2mg/dL; ferritina 850mg/dL; Hb 17,3d/Dl; LG 8.750/mm³; Plq136.000/mm³; Creat 0,9mg/dL; Na^+ 137mEq/L; K 4,3mEq/L; Mg² 2,0mEq/L; fósforo 3,1mg/dL; Ca² 9,1mg/dL, Albumina 3,5g/dL; TSH 1,2microUI/mL. Assinale a alternativa que apresenta a conduta MAIS ADEQUADA nesse caso e o respectivo efeito terapêutico desejado.

Alternativas

  1. A) Iniciar agonista do receptor de GLP-1 ambulatorialmente, para redução dascomplicações macrovasculares, porém não das microvasculares
  2. B) Iniciar insulina de ação longa à noite ambulatorialmente, para redução dascomplicações microvasculares, porém não das macrovasculares
  3. C) Iniciar metformina e sulfonilureia ambulatorialmente, para redução das complicaçõesmicrovasculares e macrovasculares
  4. D) Internar a paciente e iniciar insulinoterapia intensiva (insulina basal e prandial), pararedução das complicações microvasculares, porém não das macrovasculares

Pérola Clínica

DM2 com HbA1c > 10% ou glicemia > 300 mg/dL e sintomas → iniciar insulina basal para controle rápido e alívio da glicotoxicidade.

Resumo-Chave

Em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 recém-diagnosticado ou descompensado, com HbA1c muito elevada (>10%) ou glicemia de jejum >300 mg/dL e sintomas de hiperglicemia (poliúria, perda de peso), a insulinoterapia basal é a conduta mais adequada para um controle glicêmico rápido e eficaz, aliviando a glicotoxicidade. A metformina pode ser adicionada ou iniciada após o controle inicial.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica caracterizada por resistência à insulina e disfunção das células beta pancreáticas. Sua prevalência tem aumentado globalmente, sendo uma das principais causas de morbimortalidade. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações. A apresentação clínica pode variar desde assintomática até sintomas clássicos de hiperglicemia, como poliúria, polidipsia e perda de peso. A obesidade e o sedentarismo são fatores de risco importantes. Quando um paciente com DM2 apresenta hiperglicemia grave (HbA1c > 10% ou glicemia > 300 mg/dL) e sintomas, a glicotoxicidade está presente, prejudicando a função das células beta e a sensibilidade à insulina. Nesses casos, a insulinoterapia inicial é a conduta mais eficaz para reverter rapidamente a glicotoxicidade, aliviar os sintomas e normalizar os níveis glicêmicos. A insulina basal, administrada uma vez ao dia, é uma estratégia comum para iniciar o tratamento, proporcionando um controle glicêmico basal adequado. O tratamento do DM2 visa não apenas o controle glicêmico, mas também a prevenção das complicações microvasculares (retinopatia, nefropatia, neuropatia) e macrovasculares (doença cardiovascular, AVC). Embora a insulina seja eficaz na redução de ambas, a questão destaca a redução das microvasculares, um ponto importante a ser considerado. Após o controle inicial com insulina, outros agentes como a metformina podem ser introduzidos, e a insulinoterapia pode ser ajustada ou até mesmo descontinuada em alguns casos, dependendo da resposta do paciente e da manutenção do controle glicêmico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para iniciar insulina em pacientes com DM2 recém-diagnosticado?

A insulinoterapia inicial é indicada para pacientes com DM2 que apresentam HbA1c > 10%, glicemia de jejum > 300 mg/dL, ou sintomas de hiperglicemia grave (poliúria, polidipsia, perda de peso inexplicada). O objetivo é controlar rapidamente a glicemia e aliviar a glicotoxicidade.

Por que a insulina de ação longa é uma boa opção para iniciar o tratamento em DM2 descompensado?

A insulina de ação longa (basal) administrada à noite oferece um controle glicêmico estável ao longo das 24 horas, reduzindo a glicemia de jejum e a hiperglicemia pós-prandial. É uma forma eficaz e relativamente simples de iniciar a insulinoterapia, podendo ser ajustada conforme a necessidade.

Quais são as diferenças entre complicações microvasculares e macrovasculares do diabetes?

As complicações microvasculares afetam pequenos vasos sanguíneos e incluem retinopatia, nefropatia e neuropatia diabética. As macrovasculares afetam grandes vasos e englobam doenças cardiovasculares (infarto, AVC) e doença arterial periférica. O controle glicêmico rigoroso é fundamental para prevenir ambas.

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