UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 52 anos comparece assintomática em consulta de rotina. AP: HAS e DM2 em uso de enalapril, hidroclorotiazida, metformina e vildagliptina. EF: PA: 130 x 80 mmHg, IMC: 26 kg/m2. Exames laboratoriais: HbA1c: 9,8%, glicemia de jejum 148 mg/dL, colesterol total 200 mg/dL, HDL colesterol 35 mg/dL e triglicérides 280 mg/dL. Nesse caso, a conduta indicada é:
HbA1c > 9% em uso de terapia dupla/tripla → Falha terapêutica oral → Iniciar Insulinoterapia + Estatina.
Níveis de HbA1c significativamente acima da meta (>9,0%) em pacientes já utilizando doses otimizadas de antidiabéticos orais indicam a necessidade de insulinização para controle glicêmico eficaz.
O manejo do DM2 deve ser multifatorial. A inércia clínica em iniciar insulina é um dos principais obstáculos para o controle adequado. A insulina NPH ao deitar (Bedtime) é uma estratégia comum para controlar a glicemia de jejum. Simultaneamente, o controle da pressão arterial e da dislipidemia é crucial, dado que a principal causa de mortalidade nesses pacientes são as doenças cardiovasculares. A escolha da estatina deve visar as metas de LDL preconizadas para o risco calculado.
A paciente já está em uso de terapia combinada (Metformina + Vildagliptina) e apresenta uma HbA1c de 9,8%, o que está muito acima da meta recomendada (geralmente < 7,0%). Segundo as diretrizes da SBD e ADA, quando a HbA1c é superior a 9,0-9,5% em pacientes já medicados, a probabilidade de atingir a meta apenas com a troca ou adição de outros agentes orais é baixa devido à glicotoxicidade e exaustão das células beta. A insulinização (como NPH basal) é a conduta mais eficaz para reduzir rapidamente esses níveis.
Pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2, especialmente na faixa etária acima de 40 anos, são classificados como de alto ou muito alto risco cardiovascular. Independentemente dos níveis basais de LDL, o uso de estatinas (como sinvastatina ou atorvastatina) é indicado para redução de eventos macrovasculares. Além disso, a paciente apresenta HDL baixo (35 mg/dL) e triglicérides elevados (280 mg/dL), reforçando a necessidade de intervenção lipídica.
Os diuréticos tiazídicos, como a hidroclorotiazida, podem ter efeitos metabólicos adversos, incluindo a redução da sensibilidade à insulina e o aumento dos níveis glicêmicos, além de interferir no perfil lipídico. Em pacientes com DM2 de difícil controle, a substituição da HCTZ por outros anti-hipertensivos (como bloqueadores de canais de cálcio ou otimização de IECA/BRA) pode ser considerada, embora a prioridade imediata neste caso seja o controle da hiperglicemia grave com insulina.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo