AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Um paciente do sexo masculino, 65 anos, com diagnóstico prévio de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2 e doença pulmonar obstrutiva crônica, comparece à consulta de acompanhamento ambulatorial. Faz uso regular de metformina 1000 mg no café da manhã e 1000 mg no jantar, glimepirida 4 mg/dia e dapagliflozina 10 mg/dia. Seus últimos exames laboratoriais revelam hemoglobina glicada de 10,3% e glicemia de jejum de 158 mg/dL. Considerando o perfil clínico e laboratorial do paciente, qual a conduta terapêutica mais adequada?
HbA1c > 10% em uso de tripla terapia oral → Iniciar Insulina Basal (0,1-0,2 U/kg).
Quando o controle glicêmico falha com doses otimizadas de antidiabéticos orais, a introdução de insulina basal é o próximo passo recomendado para superar a glicotoxicidade.
O manejo do Diabetes Mellitus tipo 2 é progressivo, refletindo a perda gradual da função das células beta pancreáticas. Pacientes que mantêm níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) significativamente elevados apesar do uso de metformina, sulfonilureias e inibidores de SGLT2 apresentam falha terapêutica que exige a introdução de insulina. A estratégia de 'Basal-Plus' ou apenas 'Basal' é preferida inicialmente. A insulina basal (NPH ou análogos de longa duração) atua suprimindo a gliconeogênese hepática excessiva, que é a principal causa da hiperglicemia de jejum. Em idosos ou pacientes com múltiplas comorbidades, o início deve ser cauteloso para evitar hipoglicemias, mas a inércia clínica deve ser combatida para prevenir complicações micro e macrovasculares a longo prazo.
A insulina deve ser considerada quando o paciente apresenta sintomas catabólicos (perda de peso, poliúria), quando a HbA1c está muito acima do alvo (geralmente > 9-10%) ou quando o controle não é atingido com doses máximas de 3 agentes orais. No caso clínico, a HbA1c de 10,3% em tripla terapia é uma indicação clara.
A recomendação inicial para insulina basal (como NPH, Glargina ou Degludeca) é de 0,1 a 0,2 U/kg/dia ou uma dose fixa de 10 unidades. A aplicação costuma ser noturna para controlar a glicemia de jejum, com ajustes subsequentes baseados na monitorização capilar.
Insulinas de ação curta (Regular ou análogos rápidos) são usadas para controle prandial (picos após refeições). Usá-las ao deitar não cobre a produção hepática de glicose durante a madrugada e aumenta significativamente o risco de hipoglicemia noturna grave.
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