Insulinoma: Diagnóstico na Hipoglicemia Não Diabética

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente de 34 anos procura o atendimento clínico devido a repetidos episódios de hipoglicemia sintomática. Nega história de diabetes, hipertensão arterial, uso de hipoglicemiantes e etilismo. Relata que os episódios ocorrem em qualquer momento do dia, incluindo a madrugada. Por orientação de um estudante de medicina, paciente instalou um sensor de glicemia cutâneo para monitorar a glicemia e durante a presença de sintomas (tontura, cefaleia, mal-estar e palpitações) conseguiu identificar diferentes valores de glicemia capilar em diferentes momentos do dia: 45, 42, 33 e 38 mg/dL. Ginecologista solicitou os seguintes exames após 12 horas de jejum: Glicose = 38 mg/dL; Insulina = 12µUI/L (3 a 25 µUI/mL). Sobre o caso qual é a afirmação incorreta?

Alternativas

  1. A) Inibidores da enzima conversora de angiotensina, antagonistas dos receptores da angiotensina, antibióticos quinolonas e indometacina são medicações que podem estar associados à hipoglicemia.
  2. B) Pacientes hospitalizados com doenças graves como insuficiência renal, hepática ou cardíaca; sepse; e inanição podem apresentar hipoglicemias.
  3. C) Insuficiência adrenal por Doença de Addison e hipopituitarismo podem apresentar hipoglicemia na sua evolução.
  4. D) Paciente do caso clínico apresenta níveis normais de insulina, descartando dessa forma, o diagnóstico de insulinoma.
  5. E) Pacientes com grandes tumores mesenquimias ou epiteliais podem apresentar hipoglicemias devido a superprodução de uma forma incompletamente processada do fator de crescimento semelhante à insulina II (IGF-II).

Pérola Clínica

Hipoglicemia + insulina 'normal' ou ↑ = insulinoma até prova em contrário.

Resumo-Chave

Em um paciente com hipoglicemia documentada, um nível de insulina que está dentro da faixa de referência 'normal' é considerado inapropriadamente alto, pois a insulina deveria estar suprimida. Isso é um forte indício de insulinoma ou outra causa de hiperinsulinismo endógeno.

Contexto Educacional

A investigação da hipoglicemia em pacientes não diabéticos é um desafio diagnóstico que exige uma abordagem sistemática. É crucial diferenciar as causas de hiperinsulinismo endógeno (como o insulinoma) de outras etiologias, como hipoglicemia induzida por drogas, deficiências hormonais ou tumores não-beta. A compreensão dos critérios de Whipple e a interpretação correta dos exames laboratoriais durante um episódio hipoglicêmico são fundamentais para o diagnóstico preciso. O insulinoma é um tumor neuroendócrino raro do pâncreas que secreta insulina de forma autônoma, levando a episódios de hipoglicemia. O diagnóstico é suspeitado pela tríade de Whipple e confirmado pela demonstração de hiperinsulinismo inapropriado durante a hipoglicemia (glicose baixa com insulina, peptídeo C e proinsulina elevados ou 'normais' em vez de suprimidos). O teste de jejum prolongado é o padrão-ouro para o diagnóstico. Outras causas importantes de hipoglicemia incluem medicamentos (sulfonilureias, quinolonas, IECA), insuficiência adrenal, hipopituitarismo, doenças hepáticas e renais graves, sepse e tumores não-beta (produtores de IGF-II). O tratamento depende da causa subjacente, sendo a ressecção cirúrgica curativa para a maioria dos insulinomas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Whipple para o diagnóstico de hipoglicemia?

Os critérios de Whipple incluem sintomas compatíveis com hipoglicemia, glicemia plasmática baixa (<55 mg/dL) no momento dos sintomas e alívio dos sintomas após a elevação da glicemia.

Por que um nível de insulina 'normal' é considerado patológico na hipoglicemia?

Na presença de hipoglicemia, a secreção de insulina endógena deveria ser suprimida para permitir a elevação da glicemia. Um nível de insulina dentro da faixa de referência 'normal' é, portanto, inapropriadamente alto e sugere hiperinsulinismo.

Quais são as principais causas de hipoglicemia não relacionada ao diabetes?

As causas incluem insulinoma, hipoglicemia induzida por medicamentos (ex: quinolonas), deficiências hormonais (insuficiência adrenal, hipopituitarismo), doenças graves (sepse, insuficiência hepática/renal) e tumores não-beta produtores de IGF-II.

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