Insulinização Basal em DM2: Quando e Como Iniciar

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 63 anos, com HAS e DM tipo 2 há 15 anos, em uso de metformina e gliclazida em doses máximas, evoluindo com perda de peso progressiva, poliúria e polidipsia nos últimos 3 meses. Apresenta hemoglobina glicada de 10,3% e glicemia de jejum de 240mg/dL. Trata-se de paciente com difícil contexto social, com necessidade de ajuda de benefícios sociais e baixa renda familiar, porém, mora a poucos quarteirões da unidade básica de saúde de seu bairro e possui familiares no domicílio a maior parte do tempo. Assinale a melhor conduta neste momento:

Alternativas

  1. A) Adicionar dapaglifozina e liraglutida ao esquema atual.
  2. B) Suspender gliclazida e adicionar pioglitazona e insulina regular se glicemia capilar acima de 180mg/dL.
  3. C) Suspensão da metformina e gliclazida e introdução de insulinização plena, com 0,5 UI/kg, dividido metade em insulina basal (NPH) e metade em insulina prandial (Regular).
  4. D) Adicionar insulina NPH 10 unidades às 22 horas (bed time) ao esquema atual.

Pérola Clínica

DM2 com glicada alta em doses máx de VO → iniciar insulina basal (NPH bed time).

Resumo-Chave

Paciente com DM2 em doses máximas de antidiabéticos orais, com glicemia de jejum e HbA1c elevadas e sintomas de descompensação, necessita de insulinização. A introdução de insulina basal (NPH à noite) é a conduta inicial mais apropriada para controlar a glicemia de jejum e reduzir a glicada, mantendo os orais.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica progressiva caracterizada por resistência à insulina e disfunção das células beta pancreáticas, levando à hiperglicemia. O tratamento inicial envolve mudanças no estilo de vida e metformina. Com a progressão da doença, outros antidiabéticos orais ou injetáveis são adicionados. No entanto, muitos pacientes eventualmente necessitam de insulinização devido à falência progressiva das células beta. O caso clínico descreve um paciente com DM2 de longa data, em doses máximas de metformina e gliclazida, apresentando descompensação glicêmica (HbA1c de 10,3%, glicemia de jejum de 240mg/dL) e sintomas clássicos de hiperglicemia (perda de peso, poliúria, polidipsia). Este cenário indica falha terapêutica dos antidiabéticos orais e a necessidade de iniciar a insulinoterapia. A estratégia mais comum e eficaz para iniciar a insulinização em DM2 é a adição de insulina basal, que visa controlar a glicemia de jejum. A insulina NPH administrada à noite (bed time) é uma excelente opção para iniciar a insulinização basal. Ela oferece uma cobertura de insulina que atua durante a noite, controlando a produção hepática de glicose e, consequentemente, a glicemia de jejum. A dose inicial de 10 unidades é um ponto de partida seguro, que pode ser ajustado conforme a resposta glicêmica. Manter os antidiabéticos orais, como a metformina, é benéfico, pois eles continuam a atuar na resistência à insulina e na redução da produção hepática de glicose, complementando a ação da insulina basal. A insulinização plena (basal-bolus) é geralmente reservada para pacientes com maior descompensação ou que não atingem o controle com insulina basal e orais.

Perguntas Frequentes

Quando considerar a insulinização em pacientes com DM2?

A insulinização é considerada em pacientes com DM2 que apresentam descompensação glicêmica persistente (HbA1c > 9-10%), sintomas de hiperglicemia (poliúria, polidipsia, perda de peso) ou falha terapêutica com doses máximas de antidiabéticos orais.

Por que iniciar com insulina NPH à noite (bed time) em DM2?

A insulina NPH administrada à noite (bed time) é uma estratégia comum para controlar a glicemia de jejum elevada, que é um componente importante da hiperglicemia em DM2. Ela fornece uma cobertura basal que atua durante a noite, sem necessidade de suspender os antidiabéticos orais.

Quais são os benefícios de manter a metformina ao iniciar a insulina em DM2?

A metformina deve ser mantida, se não houver contraindicações, pois ela ajuda a reduzir a resistência à insulina, diminui a produção hepática de glicose, pode auxiliar na perda de peso e reduzir a necessidade de doses mais altas de insulina.

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