Diabetes Tipo 2 Descompensado: Insulinização e Manejo

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022

Enunciado

Você está acompanhando Sr. Nilson, branco, 54 anos, tabagista, portador de hipertensão arterial e diabetes do tipo 2, que veio em consulta para mostrar os seus exames de rotina e renovar a receita dos medicamentos que faz uso (hidroclorotiazida 25mg, enalapril 10mg, metformina 2000mg e glibenclamida 5mg por dia). Durante a consulta, ele lhe conta que nas últimas semanas tem sentido mal-estar, episódios de tontura e fraqueza. Questiona se isso pode estar relacionado ao "sistema nervoso", visto que recentemente perdeu a mãe, que morreu de "problema nos rins" decorrente do diabetes. Ao exame: Peso 80Kg, PA 130/80 mmHg, ausculta cardíaca e respiratória sem alterações. Exames: Colesterol total 203, HDL 38, Triglicérides 130, HbA1c = 11,2%, Creatinina 1,3, TGF (taxa de filtração glomerular) 61,8. Assinale a alternativa que contém a conduta mais adequada, além de reforçar as mudanças de estilo de vida (MEV):

Alternativas

  1. A) Iniciar insulina NPH 8UI à noite, manter antidiabéticos orais e promover cessação do tabagismo.
  2. B) Checar e reforçar adesão aos medicamentos, promover cessação do tabagismo e solicitar nova hemoglobina glicada para avaliar em 90 dias.
  3. C) Iniciar insulina NPH 10UI à noite, suspender antidiabéticos orais e promover cessação do tabagismo.
  4. D) Encaminhar para endocrinologia para manejo do diabetes descompensado com insulinização e à nefrologia para manejo da doença renal crônica.

Pérola Clínica

DM2 descompensado (HbA1c > 10%) em uso de ADO → iniciar insulina basal (NPH) + manter metformina.

Resumo-Chave

Pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 em uso de antidiabéticos orais que persistem com controle glicêmico inadequado (HbA1c > 10% ou sintomas de hiperglicemia) necessitam de insulinização. A adição de insulina basal, como a NPH à noite, é uma estratégia eficaz, mantendo a metformina e avaliando a suspensão de secretagogos como a glibenclamida, que podem causar hipoglicemia.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica progressiva caracterizada por resistência à insulina e disfunção das células beta pancreáticas. Sua prevalência é crescente globalmente, e o manejo adequado é crucial para prevenir complicações micro e macrovasculares. A descompensação glicêmica, evidenciada por uma HbA1c muito elevada (acima de 10%), indica a necessidade de intensificação terapêutica, frequentemente com a introdução de insulina. A fisiopatologia do DM2 envolve múltiplos defeitos, incluindo secreção inadequada de insulina, aumento da produção hepática de glicose e resistência à insulina nos tecidos periféricos. Quando os antidiabéticos orais (ADO) não são suficientes para atingir as metas glicêmicas, a insulinização torna-se imperativa. A presença de sintomas como mal-estar, tontura e fraqueza em um paciente com DM2 e HbA1c elevada deve levantar a suspeita de hiperglicemia crônica ou, em alguns casos, hipoglicemia induzida por secretagogos. A conduta inicial para DM2 descompensado em uso de ADO é a introdução de insulina basal, como a insulina NPH à noite, mantendo a metformina (se a função renal permitir) e reavaliando outros ADO. A glibenclamida, um secretagogo de insulina, deve ser usada com cautela devido ao risco de hipoglicemia. Além do controle glicêmico, a abordagem integral inclui o manejo de comorbidades como hipertensão e dislipidemia, e a promoção de mudanças no estilo de vida, como a cessação do tabagismo, que são fundamentais para reduzir o risco cardiovascular e renal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para iniciar insulina em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2?

A insulinização é indicada em DM2 quando há falha da terapia oral máxima, HbA1c persistentemente elevada (>10%), sintomas de hiperglicemia (poliúria, polidipsia, perda de peso), ou em situações de estresse agudo, como infecções graves ou cirurgias.

Qual o papel da insulina NPH no tratamento do Diabetes tipo 2?

A insulina NPH é uma insulina de ação intermediária, frequentemente utilizada como insulina basal para controlar a glicemia de jejum e entre as refeições. É uma opção comum para iniciar a insulinização em DM2, geralmente administrada à noite.

Como a doença renal crônica afeta o manejo do diabetes?

A doença renal crônica exige ajuste de dose de muitos antidiabéticos orais (como metformina e glibenclamida) e pode aumentar o risco de hipoglicemia com secretagogos de insulina. A insulinização pode ser necessária e as doses de insulina podem precisar ser ajustadas conforme a taxa de filtração glomerular.

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