SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2021
Elsa, 52 anos, viúva, auxiliar de serviços gerais. Há cerca de 1 mês vem apresentando dores e sensação constante de peso na perna direita. Refere que piora ao final do dia, principalmente quando trabalha muito em pé e que alivia ao deitar-se e elevar as pernas. É portadora de hipertensão arterial sistêmica (HAS), faz uso de enalapril 10 mg 1x/dia e hidroclorotiazida 25 mg 1x/dia, uso social de bebida alcoólica e é tabagista (20 cigarros/dia desde os 15 anos). Ao exame Físico: Bom estado geral, PA =120x80 mmhg, Frequência cardíaca: 82 bpm, Ausculta cardíaca: Bulhas normofonéticas, ritmo regular, sem sopro. Membro inferior esquerdo apresentando discreto edema depressível perimaleolar (+/4+), Membro inferior direito: Edema moderado (++/4+), varicosidades importantes em região medial da perna e hiperpigmentação em toda circunferência do tornozelo, sem calor, rubor ou empastamento, Homans negativo, pulsos pediosos e tibiais amplos e simétricos. Elsa não deseja realizar cirurgia no momento. Com base no caso, qual a classificação clínica da insuficiência venosa e a conduta terapêutica conservadora adequada?
IVC com hiperpigmentação perimaleolar = CEAP C4. Tratamento conservador inicial → meias de compressão graduada.
A paciente apresenta sintomas clássicos de insuficiência venosa crônica (IVC), como dor e sensação de peso que pioram ao final do dia e melhoram com elevação das pernas. A presença de varicosidades importantes e, crucialmente, hiperpigmentação em toda a circunferência do tornozelo, classifica a IVC como CEAP C4. A conduta terapêutica conservadora de primeira linha para IVC é o uso de meias de compressão graduada.
A Insuficiência Venosa Crônica (IVC) é uma condição comum que afeta milhões de pessoas, com prevalência aumentando com a idade e fatores de risco como tabagismo, obesidade, gestações e histórico familiar. É crucial para residentes reconhecerem e classificarem corretamente a IVC para um manejo adequado e prevenção de complicações. A fisiopatologia da IVC envolve a disfunção das válvulas venosas e/ou obstrução do fluxo venoso, levando à hipertensão venosa nos membros inferiores. Isso resulta em extravasamento de fluidos e células sanguíneas para o interstício, causando edema, inflamação e alterações tróficas na pele. A classificação CEAP é a ferramenta padrão para descrever a gravidade clínica, etiológica, anatômica e fisiopatológica da doença. No caso apresentado, a presença de varicosidades importantes, edema e, principalmente, a hiperpigmentação em toda a circunferência do tornozelo, indica um estágio C4 da classificação clínica CEAP. O tratamento conservador é a primeira linha de abordagem e inclui medidas como elevação dos membros, exercícios, e o uso fundamental de meias de compressão graduada, que promovem o retorno venoso e reduzem o edema e a hipertensão venosa. Fármacos flebotônicos podem ser usados como adjuvantes para alívio sintomático.
A IVC manifesta-se com dor, sensação de peso, cansaço e inchaço nas pernas, que pioram ao longo do dia e com a posição ortostática prolongada, aliviando com a elevação dos membros. Podem surgir varizes, edema, hiperpigmentação, eczema e, em casos avançados, úlceras venosas.
A classificação CEAP (Clínica, Etiológica, Anatômica, Fisiopatológica) é um sistema padronizado para descrever a IVC. A parte 'C' (Clínica) varia de C0 (sem sinais visíveis) a C6 (úlcera ativa), sendo C4 caracterizada por alterações cutâneas como hiperpigmentação ou eczema, e C3 por edema.
A pedra angular do tratamento conservador da IVC são as meias de compressão graduada, que ajudam a reduzir o edema e melhorar o retorno venoso. Medidas como elevação dos membros, exercícios físicos e evitar longos períodos em pé ou sentado também são importantes. Fármacos venoativos podem ser considerados como adjuvantes.
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