Edema de Membros Inferiores: Insuficiência Venosa e Anlodipino

HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2023

Enunciado

Dona Maria, 60 anos, diabética e hipertensa, IMC: 33 kg/m², em uso regular de losartana, anlodipino e metformina, está com os tornozelos inchados há cerca de 2 meses. Nega trauma local, dispneia aos esforços, ortopneia ou tabagismo. Função renal e hepática normais. Exame clínico cardiovascular, pulmonar e abdominal normais. Exame clínico cardiovascular, pulmonar e abdominal normais. Em ambos os membros inferiores, apresenta varizes de médio calibre, área de pele escurecida e edema (3+/4+), frio, mole e com cacifo, em regiões perimaleolares. Pulsos pediosos presentes e simétricos. Neste caso, o diagnóstico e a melhor terapêutica são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) trombose venosa profunda / prescrição de trombolíticos.
  2. B) linfedema, devido ao seu IMC / reeducação alimentar associada a perda de peso.
  3. C) edema ortostático / elevação intermitente dos membros inferiores associada a exercícios físicos aeróbicos.
  4. D) insuficiência venosa periférica / prescrição de meias elásticas compressivas e retirada do anlodipino.

Pérola Clínica

Edema bilateral com cacifo, varizes e hiperpigmentação perimaleolar → Insuficiência venosa crônica. Considerar anlodipino como causa ou agravante.

Resumo-Chave

O edema bilateral de membros inferiores com cacifo, associado a varizes e alterações tróficas da pele (hiperpigmentação), é altamente sugestivo de insuficiência venosa crônica. Além disso, o anlodipino, um bloqueador dos canais de cálcio, é uma causa comum de edema periférico, que pode agravar ou mimetizar a insuficiência venosa.

Contexto Educacional

O edema de membros inferiores é uma queixa comum na prática clínica, e seu diagnóstico diferencial é vasto. No caso apresentado, a presença de varizes, hiperpigmentação perimaleolar e edema com cacifo, frio e mole, aponta fortemente para insuficiência venosa crônica. Esta condição é caracterizada pela disfunção das válvulas venosas, levando ao acúmulo de sangue nos membros inferiores e extravasamento de fluido para o interstício. É crucial considerar também o uso de medicamentos como o anlodipino, um bloqueador dos canais de cálcio diidropiridínico, que é uma causa frequente de edema periférico. O anlodipino causa vasodilatação arteriolar, aumentando a pressão hidrostática capilar e favorecendo o extravasamento de líquido. Em pacientes com insuficiência venosa pré-existente, o anlodipino pode agravar o edema. A terapêutica envolve medidas não farmacológicas como elevação dos membros, exercícios e uso de meias elásticas compressivas. A revisão da farmacoterapia é essencial, e a substituição ou ajuste da dose do anlodipino deve ser considerada, se clinicamente apropriado, para aliviar o edema. O manejo adequado visa melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações como úlceras venosas.

Perguntas Frequentes

Quais são as características do edema por insuficiência venosa crônica?

O edema por insuficiência venosa é tipicamente bilateral, vespertino, melhora com elevação dos membros, é mole, com cacifo, e pode estar associado a varizes, hiperpigmentação, dermatite ocre e úlceras venosas. É importante diferenciá-lo de outras causas de edema.

Como o anlodipino causa edema de membros inferiores?

O anlodipino, um bloqueador dos canais de cálcio diidropiridínico, causa vasodilatação arterial periférica, levando a um desequilíbrio entre a pré e pós-capilar, aumentando a pressão hidrostática e resultando em extravasamento de fluido para o interstício, especialmente nos tornozelos.

Qual a conduta inicial para o edema por insuficiência venosa e anlodipino?

A conduta inclui elevação dos membros, exercícios físicos, meias de compressão elástica e, se o anlodipino for o causador ou agravante, sua substituição por outro anti-hipertensivo ou redução da dose, se clinicamente viável e sob orientação médica.

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