Insuficiência Venosa Crônica: Diagnóstico e Causas

PMC - Prefeitura Municipal de Curitiba / SMS (PR) — Prova 2021

Enunciado

Em relação a insuficiência venosa crônica (IVC) e varizes de membros inferiores, está INCORRETO:

Alternativas

  1. A) Apesar de ser reconhecidamente a mais difundida classificação sobre IVC, a classificação CEAP apresenta algumas limitações. Entre as principais, podemos citar a não adequação para ser utilizada como marcador da evolução dos tratamentos.
  2. B) A hipertensão venosa é o núcleo central dos sintomas apresentados na IVC. Medindose a pressão venosa superficial distal nos membros inferiores de indivíduos normais encontramos valores de aproximadamente 80 a 90 mmHg no repouso. Durante o exercício esta pressão decresce, chegando a valores como 30-40 mmHg. Já nos pacientes com IVC, a pressão após exercício diminui muito pouco (atingindo cerca de 70 mmHg), ou até aumenta na presença de perfurantes insuficientes.
  3. C) A principal causa de IVC são as varizes primárias ou essenciais.
  4. D) A presença de varizes em apenas um dos membros inferiores não deve levantar suspeita de causas secundárias.
  5. E) A lise das hemácias libera hemoglobina que no espaço extracelular é degradada a um subproduto, a hemossiderina, extremamente irritante aos tecidos. A ''dermatite ocre'' é o resultado dos depósitos dérmicos e subcutâneos desta substância.

Pérola Clínica

Varizes unilaterais ou de início súbito → sempre investigar causas secundárias de IVC (ex: TVP prévia).

Resumo-Chave

A presença de varizes em apenas um membro inferior, ou seu surgimento abrupto, não é típica das varizes primárias (essenciais) e deve levantar forte suspeita de uma causa secundária de insuficiência venosa crônica (IVC). A trombose venosa profunda (TVP) prévia é uma das causas mais comuns de IVC secundária, levando à síndrome pós-trombótica com refluxo e/ou obstrução venosa.

Contexto Educacional

A Insuficiência Venosa Crônica (IVC) é uma condição comum caracterizada pela incapacidade das veias de retornar o sangue adequadamente ao coração, resultando em hipertensão venosa nos membros inferiores. As varizes primárias ou essenciais, decorrentes de uma predisposição genética e fraqueza da parede venosa, são a principal causa de IVC. No entanto, é crucial diferenciar as varizes primárias das secundárias, que podem indicar uma patologia subjacente mais grave. A fisiopatologia da IVC centra-se na hipertensão venosa, que leva à dilatação das veias, incompetência valvular e refluxo sanguíneo. Isso causa estase, extravasamento de fluidos e células sanguíneas para o espaço intersticial. A classificação CEAP é uma ferramenta diagnóstica essencial que descreve os aspectos clínicos, etiológicos, anatômicos e fisiopatológicos da doença, embora com limitações para monitorar a progressão do tratamento. Os sintomas incluem dor, edema, sensação de peso e cãibras, podendo evoluir para alterações tróficas da pele como dermatite ocre (devido ao depósito de hemossiderina) e úlceras venosas. A presença de varizes unilaterais ou de início súbito deve sempre levantar a suspeita de causas secundárias, como síndrome pós-trombótica após uma trombose venosa profunda. O tratamento visa aliviar os sintomas, prevenir a progressão da doença e tratar as complicações, podendo incluir medidas conservadoras, escleroterapia ou cirurgia.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da classificação CEAP na Insuficiência Venosa Crônica (IVC)?

A classificação CEAP (Clínica, Etiológica, Anatômica, Fisiopatológica) é a mais utilizada para descrever a IVC, permitindo uma avaliação padronizada da doença. Embora útil para diagnóstico e planejamento terapêutico, ela possui limitações como marcador de evolução dos tratamentos.

Quais são as principais causas de varizes secundárias?

As varizes secundárias são geralmente causadas por condições que danificam o sistema venoso, como trombose venosa profunda (TVP) prévia (síndrome pós-trombótica), fístulas arteriovenosas, malformações congênitas ou compressão extrínseca de veias.

O que é a dermatite ocre e qual sua relação com a IVC?

A dermatite ocre é uma pigmentação acastanhada da pele, principalmente na região maleolar, causada pelo depósito de hemossiderina. Este subproduto da degradação da hemoglobina é liberado pela lise de hemácias extravasadas devido à hipertensão venosa crônica, sendo um sinal característico da IVC avançada.

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