FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Criança de 7 anos com história de asma é admitida na UTI-Pediátrica devido a exacerbação da asma. Apresenta há 1 dia piora do cansaço e fala com dificuldade segundo a mãe. Ao exame apresenta: tiragem intercostal, frequência respiratória - 60 ipm; ausculta: murmúrio vesicular diminuído, sibilos difusos; sat.O₂-94% com máscara não reinalante. Após 12 horas em UTI paciente apresentou deterioração do quadro respiratório. Esse paciente teria indicação de VPM quando apresentasse:
Asma grave + Acidose respiratória/↑CO2 = Exaustão muscular → IOT/VPM imediata.
A elevação dos níveis de CO2 em uma crise asmática grave indica falência da bomba ventilatória e exaustão muscular, sendo uma indicação absoluta de suporte ventilatório invasivo.
O manejo da asma grave na UTI pediátrica foca na reversão do broncoespasmo e na manutenção da oxigenação. A decisão de intubar um paciente asmático é clínica e gasométrica. Fisiopatologicamente, a asma causa aprisionamento aéreo e auto-PEEP, o que aumenta enormemente o trabalho inspiratório. Quando a criança apresenta fala dificultada, tiragens importantes e frequência respiratória muito elevada (60 ipm no caso), ela está no limite de sua reserva funcional. A ventilação mecânica na asma é desafiadora devido ao risco de barotrauma e volutrauma. O objetivo é a 'hipercapnia permissiva', priorizando tempos expiratórios longos para permitir o esvaziamento pulmonar e evitar o auto-PEEP excessivo. A indicação de VPM por aumento de CO2 reflete a transição da insuficiência respiratória puramente obstrutiva para a falência neuromuscular.
Normalmente, o paciente em crise asmática apresenta taquipneia e hipocapnia (CO2 baixo) por hiperventilação compensatória. Quando o CO2 começa a subir (normocapnia ou hipercapnia), isso sinaliza que o trabalho respiratório é tão alto que a musculatura fadigou, ou que a obstrução ao fluxo aéreo é tão severa que não há troca gasosa efetiva. É um sinal iminente de parada respiratória.
Além da hipercapnia, a alteração do nível de consciência (sonolência ou agitação extrema), o 'tórax silencioso' (ausência de sibilos por fluxo de ar mínimo), a acidose metabólica/respiratória progressiva e a incapacidade de manter oxigenação mesmo com altas frações inspiradas de O2 são sinais de gravidade extrema.
Sim, a Ventilação Não Invasiva (VNI) pode ser utilizada em casos selecionados de asma grave que não respondem ao tratamento clínico inicial, visando reduzir o trabalho respiratório e evitar a intubação. No entanto, se houver deterioração clínica, instabilidade hemodinâmica ou hipercapnia progressiva sob VNI, a transição para ventilação mecânica invasiva não deve ser retardada.
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