USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Paciente, 8 meses de idade, do sexo masculino, é levado ao pronto atendimento por tosse há uma semana, com febre de até 39,5 °C há três dias. O responsável notou que ele apresenta cansaço e dificuldade para respirar. Ao exame físico, está letárgico, pálido e gemente, FC de 172 bpm, FR de 88 ipm, saturando 90% em máscara não reinalante, PA de 85x40 mmHg, temperatura axilar, no momento, de 36,9 °C. Sem alterações em ausculta cardíaca e pulmonar; com presença de tiragens intercostal, subdiafragmática e de fúrcula importantes. Tempo de enchimento capilar de 2 segundos, pulsos cheios. Restante do exame físico sem alterações. Assinale a alternativa que descreve a principal hipótese diagnóstica e a conduta indicada nesse momento.
Lactente com sinais de IR grave (letargia, taquipneia, tiragens, saturação baixa, taquicardia) → IOT imediata após estabilização inicial.
O lactente apresenta sinais claros de insuficiência respiratória grave e choque (letargia, taquicardia, taquipneia, saturação baixa, PA limítrofe), indicando a necessidade de intubação orotraqueal imediata para garantir a ventilação e oxigenação adequadas. A máscara não reinalante é uma medida de suporte temporária enquanto se prepara para a IOT.
A insuficiência respiratória é uma das principais causas de morbimortalidade em lactentes, e seu reconhecimento precoce e manejo adequado são cruciais. O caso clínico apresenta um lactente de 8 meses com sinais clássicos de insuficiência respiratória grave e choque, incluindo letargia, taquicardia (FC 172 bpm), taquipneia (FR 88 ipm), saturação de 90% em máscara não reinalante (indicando hipoxemia refratária), hipotensão limítrofe (PA 85x40 mmHg) e tiragens importantes. Esses achados configuram um quadro de falência respiratória iminente e choque, provavelmente séptico, com a pneumonia como principal etiologia. A pneumonia em lactentes pode rapidamente evoluir para insuficiência respiratória grave e choque. Os sinais de gravidade incluem, além dos já mencionados, a presença de gemência, cianose, apneia e alteração do nível de consciência. A taquicardia e a hipotensão, juntamente com o tempo de enchimento capilar normal, podem indicar um choque compensado, mas a letargia e a hipoxemia refratária são alarmantes. Diante de um quadro de insuficiência respiratória grave e falência iminente, a intubação orotraqueal (IOT) é a conduta mais adequada para garantir a ventilação e oxigenação. A máscara não reinalante, embora forneça alta concentração de oxigênio, não é suficiente para um paciente em exaustão respiratória e com sinais de choque. O cateter nasal de alto fluxo pode ser útil em casos de insuficiência respiratória moderada, mas não para um quadro tão grave. A ventilação com bolsa-válvula-máscara é uma medida de resgate ou ponte, mas a IOT oferece controle definitivo da via aérea. Portanto, a prioridade é preparar para a IOT enquanto se mantém o suporte ventilatório e de oxigênio disponível.
Sinais de insuficiência respiratória grave incluem taquipneia acentuada, tiragens importantes (intercostal, subcostal, de fúrcula), batimento de asa de nariz, gemência, cianose, letargia, alteração do nível de consciência, bradicardia (sinal de falência iminente) e saturação de oxigênio persistentemente baixa apesar do suporte.
A intubação orotraqueal é indicada quando há falha respiratória iminente ou estabelecida, evidenciada por sinais de exaustão (letargia, bradicardia), hipoxemia refratária ao oxigênio suplementar, hipercapnia progressiva, choque ou incapacidade de proteger a via aérea.
A principal hipótese é pneumonia grave, dada a tosse, febre alta, sinais de desconforto respiratório progressivo e o quadro sistêmico de letargia, taquicardia e hipotensão limítrofe, que pode indicar um choque séptico associado à infecção pulmonar. A bronquiolite, embora comum nessa idade, geralmente não cursa com febre tão alta e o quadro de choque é menos típico.
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