Insuficiência Respiratória Pediátrica: Intubação e SRI

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020

Enunciado

Lactente com 8 meses de idade apresentando há 5 dias febre persistente, dificuldade para sugar, desconforto respiratório e tosse produtiva. Ao exame: letárgico, hidratado, descorado 2+/4+, dispnéico, afebril e anicterico. OF: ndn; Ap: MV +, creptações em todo hemitorax direito; FR: 62 ipm; Expansibilidade torácica simétrica; Batimento de asa de nariz e tiragem intercostal 3+/4+; So2: 92% em ar ambiente; Fc: 150 bpm; Pulsos periféricos cheios; Pcp: 3 segundos; Abd: flácido, sem vmg; RHA +; SN: ecg 15. Na reavaliação clínica do paciente, após 4 horas de observação, evidenciou-se: Letargia, piora da palidez cutâneo mucosa e piora do desconforto respiratório. Em uso de máscara não reinalante. Of: ndn; Ap: mv +, crepitações em todo hemitorax direito e presente a esquerda , sem ruidos adventícios. Fr: 52 ipm; So2: 89%; Expansibilidade torácica simétrica; Batimento de asa de nariz, tiragem intercostal e subcostal, além de retração de fúrcula esternal; Fc: 160 bpm; Pulsos cheios; Pcp: 2-3 segundos; PA: 80 x 40 mmhg; AC: BCNF RCR 2t sem sopros; ABd: flácido, se vmg; SN: ECG 10; Pele sem alterações; Sobre a reavaliação descrita acima, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) paciente evoluindo para insuficiência respiratória, devendo-se iniciar ventilação não invasiva, seguida de reavaliação em 2 horas.
  2. B) paciente segue estável, devendo-se manter oxigenioterapia por mascara não reinalante.
  3. C) paciente em insuficiência respiratória, devendo ser intubado após sequência rápida com atropina + lidocaína + cetamina.
  4. D) paciente em insuficiência respiratória, devendo ser intubado após sequência rápida com cetamina + rocurônio.
  5. E) manter oxigenioterapia e escalonar antibiótico.

Pérola Clínica

Piora de desconforto respiratório, hipoxemia refratária, rebaixamento de consciência e hipotensão em lactente → intubação orotraqueal.

Resumo-Chave

A piora progressiva do desconforto respiratório, hipoxemia refratária à oxigenoterapia, rebaixamento do nível de consciência e sinais de choque (hipotensão) indicam insuficiência respiratória iminente e necessidade de intubação orotraqueal. A sequência rápida de intubação com cetamina e rocurônio é uma escolha adequada para estabilidade hemodinâmica e paralisia.

Contexto Educacional

A insuficiência respiratória é uma das principais causas de admissão e mortalidade em pediatria, especialmente em lactentes. É caracterizada pela incapacidade do sistema respiratório de manter trocas gasosas adequadas. A identificação precoce dos sinais de piora é crucial para evitar a progressão para parada cardiorrespiratória. A fisiopatologia envolve a falha na oxigenação ou ventilação, frequentemente devido a doenças pulmonares como pneumonia ou bronquiolite. O diagnóstico é clínico, baseado na avaliação do esforço respiratório, saturação de oxigênio e nível de consciência. A suspeita deve ser alta em lactentes com taquipneia, tiragens, hipoxemia e letargia. O tratamento da insuficiência respiratória grave frequentemente culmina na necessidade de intubação orotraqueal e ventilação mecânica. A sequência rápida de intubação (SRI) é o método preferencial, utilizando um hipnótico (como cetamina para estabilidade hemodinâmica) e um bloqueador neuromuscular (como rocurônio) para otimizar as condições de intubação e minimizar complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para intubação orotraqueal em um lactente com insuficiência respiratória?

Os critérios incluem hipoxemia refratária, hipercapnia progressiva, esforço respiratório exaustivo, rebaixamento do nível de consciência, instabilidade hemodinâmica e apneia, indicando falha ventilatória iminente.

Por que a cetamina é uma boa escolha para a sequência rápida de intubação em pacientes pediátricos instáveis?

A cetamina é um hipnótico que promove estabilidade hemodinâmica, com efeitos broncodilatadores e analgésicos, sendo vantajosa em pacientes com hipotensão, choque ou broncoespasmo, mantendo a perfusão.

Quais são os principais sinais de piora do desconforto respiratório em lactentes?

Os sinais incluem aumento da frequência respiratória, tiragem intercostal/subcostal/de fúrcula, batimento de asa de nariz, gemência, cianose e rebaixamento do nível de consciência, indicando fadiga e falha respiratória.

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