MedEvo Simulado — Prova 2026
Um lactente de 4 meses de idade é admitido na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica com quadro de desconforto respiratório progressivo há 24 horas. Ao exame físico, o paciente apresenta-se taquipneico, com frequência respiratória de 65 incursões por minuto, batimento de asa de nariz, tiragem subcostal importante e presença de gemência expiratória audível sem estetoscópio. A saturação de oxigênio em ar ambiente é de 89%. Sobre a fisiopatologia e o manejo inicial da insuficiência respiratória aguda neste paciente, assinale a alternativa correta.
Gemência expiratória = tentativa do paciente de gerar PEEP para evitar o colapso alveolar.
O fechamento parcial da glote durante a expiração (gemência) aumenta a pressão intratorácica, mantendo os alvéolos abertos e melhorando a troca gasosa em lactentes com desconforto.
A insuficiência respiratória na pediatria é uma das principais causas de parada cardiorrespiratória, ocorrendo geralmente por fadiga muscular após um período de compensação. Lactentes possuem uma caixa torácica mais complacente e horizontalizada, o que os torna mecanicamente desfavorecidos. Sinais como batimento de asa de nariz e tiragens são tentativas de reduzir a resistência da via aérea e utilizar musculatura acessória. O manejo inicial deve focar na estabilização da via aérea e suporte ventilatório não invasivo (como CPAP), que mimetiza a PEEP que o paciente tenta gerar com a gemência. A intervenção precoce com suporte de pressão positiva pode prevenir a progressão para a exaustão respiratória e a necessidade de intubação orotraqueal, que carrega maiores riscos em lactentes criticamente enfermos.
A gemência expiratória é um sinal de desconforto respiratório grave em lactentes. Fisiopatologicamente, representa uma manobra compensatória onde o paciente fecha parcialmente a glote durante a expiração. Isso cria uma resistência ao fluxo de saída, gerando uma pressão positiva ao final da expiração (PEEP intrínseca). O objetivo é manter os alvéolos abertos, aumentar a capacidade residual funcional e melhorar a relação ventilação-perfusão, evitando o colapso alveolar em pulmões com complacência reduzida.
O alvo de saturação de oxigênio (SpO2) deve ser mantido geralmente entre 92% e 94% na maioria das condições respiratórias agudas. Manter a saturação obrigatoriamente entre 98% e 100% não é recomendado, pois a hiperóxia pode causar lesão tecidual por radicais livres de oxigênio, vasoconstrição sistêmica e atelectasias de absorção. O objetivo é garantir a oferta adequada de oxigênio aos tecidos sem os riscos da toxicidade do O2 suplementar.
A cianose é um sinal tardio de hipoxemia e depende da quantidade absoluta de hemoglobina reduzida (desoxigenada) no sangue (geralmente > 5g/dL). Em pacientes anêmicos ou em estágios iniciais de insuficiência respiratória, a troca gasosa pode estar gravemente comprometida sem que a cianose seja visível. O diagnóstico de insuficiência respiratória é clínico, baseado no trabalho respiratório, frequência respiratória e estado mental, e não apenas na coloração da pele.
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