SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Menino, 5 anos de idade, foi levado à consulta por apresentar cansaço fácil, palidez, diminuição do apetite e da diurese e "inchaço" nas pernas nas últimas semanas. Foi observado que a urina está "espumosa". Há alguns meses, apresentou um episódio de infecção urinária, tratado com antibiótico. Ao exame físico, o estado geral está mantido; PA: 120x80mmHg; há palidez cutâneo-mucosa e discreto edema periférico, principalmente em membros inferiores. Exames laboratoriais: Hemoglobina: 9,8 g/dL; Creatinina: 2,5 mg/dL; Ureia: 65 mg/dL; Urina tipo I: proteinúria ++, hematúria microscópica; Ultrassonografia de rins e vias urinárias: rins de tamanho reduzido, com aumento da ecogenicidade parenquimatosa. Indique o diagnóstico mais provável para esse caso:
Rins reduzidos + ecogenicidade ↑ + anemia + azotemia = Insuficiência Renal Crônica.
A presença de rins de dimensões reduzidas e perda da diferenciação corticomedular na ultrassonografia é o marcador clássico de cronicidade, diferenciando da injúria renal aguda.
A Insuficiência Renal Crônica (IRC) na infância frequentemente decorre de anomalias congênitas do rim e do trato urinário (CAKUT) ou glomerulopatias. O diagnóstico baseia-se na redução da taxa de filtração glomerular por mais de três meses. Clinicamente, manifesta-se por déficit de crescimento, anemia, hipertensão e distúrbios metabólicos. A ultrassonografia é essencial para avaliar a morfologia renal; rins hiperecogênicos e pequenos sugerem fibrose e perda de néfrons funcionais. O manejo foca em retardar a progressão, tratar complicações como a osteodistrofia renal e preparar para terapia de substituição renal.
O principal marcador de cronicidade na ultrassonografia renal é a redução do tamanho dos rins (geralmente abaixo do percentil 3 para a idade) associada ao aumento da ecogenicidade parenquimatosa e perda da diferenciação corticomedular. Em casos agudos, os rins costumam estar de tamanho normal ou aumentados devido ao edema inflamatório. A presença de anemia normocítica e normocrômica (por deficiência de eritropoietina) também corrobora o diagnóstico de doença renal crônica.
A anemia na IRC é multifatorial, mas a causa primária é a produção inadequada de eritropoietina pelas células intersticiais peritubulares do rim em resposta à hipóxia. Além disso, a uremia reduz a vida média das hemácias, causa deficiência relativa de ferro e pode levar à supressão da medula óssea. O tratamento geralmente envolve a reposição de agentes estimuladores da eritropoiese e suplementação de ferro.
Embora a síndrome nefrótica curse com edema e proteinúria, ela não costuma apresentar, isoladamente, rins reduzidos na ultrassonografia ou níveis tão elevados de creatinina e ureia logo no início, a menos que haja uma complicação aguda ou evolução para cronicidade. A presença de rins pequenos é o 'divisor de águas' que aponta para um processo de longa data (IRC) e não apenas uma glomerulopatia aguda.
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