UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2015
Homem, 57 anos, sabidamente portador de HAS e DM há 15 anos, foi encaminhado para você devido a alteração nos exames: creatinina de 1,8 mg/dl, uréia 72 mg/dl, potássio 4,6 mg/dl. O sumário de urina mostra ausência de proteinúria e de hematúria. Ao exame físico: PA 150x90 mmHg, sem edema de membros inferiores. De acordo com este caso clínico, marque a alternativa correta, quanto ao diagnóstico:
HAS/DM crônicos + creatinina ↑ + sumário urina normal → IRC por nefroesclerose hipertensiva.
A história de HAS e DM de longa data, associada a uma elevação crônica da creatinina sem sinais agudos ou alterações significativas no sumário de urina (como proteinúria ou hematúria), sugere fortemente um quadro de Doença Renal Crônica, sendo a nefroesclerose hipertensiva uma causa comum nesse perfil.
A Insuficiência Renal Crônica (IRC) é uma condição de saúde pública global, definida por anormalidades da estrutura ou função renal presentes por mais de três meses, com implicações para a saúde. A prevalência aumenta com a idade e com a presença de comorbidades como hipertensão arterial sistêmica (HAS) e diabetes mellitus (DM), que são as principais causas de IRC no Brasil e no mundo. O diagnóstico precoce é crucial para retardar a progressão da doença e prevenir complicações. A diferenciação entre Insuficiência Renal Aguda (IRA) e IRC é fundamental. A história clínica de HAS e DM de longa data, como no caso apresentado, é um forte indicativo de cronicidade. Achados laboratoriais como creatinina e ureia elevadas, sem um ponto de partida conhecido ou sinais de agudização (como oligúria súbita, hipercalemia grave), e um sumário de urina com proteinúria discreta e ausência de hematúria ou cilindros, são compatíveis com IRC. A nefroesclerose hipertensiva, resultante da lesão vascular renal crônica pela HAS, é uma etiologia comum nesse cenário. O manejo da IRC envolve o controle rigoroso da pressão arterial, da glicemia, a modificação do estilo de vida e o uso de medicamentos nefroprotetores, como inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), mesmo na ausência de proteinúria maciça. O acompanhamento regular com nefrologista é essencial para monitorar a função renal, tratar complicações e planejar a terapia renal substitutiva, se necessário.
A IRC é caracterizada por alterações estruturais ou funcionais renais por mais de 3 meses, enquanto a IRA é uma queda abrupta da função renal. A história de doenças crônicas, anemia, hipocalcemia, hiperfosfatemia e rins pequenos na ultrassonografia sugerem IRC.
Na nefroesclerose hipertensiva, o sumário de urina tipicamente mostra proteinúria leve a moderada (não nefrótica) e ausência de hematúria significativa ou cilindros celulares, refletindo a lesão vascular crônica.
A hipertensão crônica causa lesão nos pequenos vasos renais (arteríolas aferentes e eferentes), levando à esclerose glomerular e tubular, com perda progressiva da função renal e atrofia do parênquima.
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