Insuficiência Renal Crônica: Achados Laboratoriais Chave

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 47 anos apresenta quadro arrastado de astenia, soluços, náusea e edema de membros inferiores. Está pálida, a PA: 154 x 110 mmHg. Laboratorialmente apresenta ureia: 110 mg/dL, creatinina: 4,8 mg/dL e hemoglobina: 7,9 g/dL. Neste caso, são prováveis os seguintes achados:

Alternativas

  1. A) Hipernatremia e hipercalemia.
  2. B) Hiperfosfatemia e alcalemia.
  3. C) Hipocalcemia e hipofosfatemia.
  4. D) Hipercalcemia e hiponatremia.
  5. E) pCO₂ reduzido e ânion-gap aumentado.

Pérola Clínica

IRC avançada → anemia, hipertensão, acidose metabólica com ânion-gap aumentado e compensação respiratória (pCO₂ ↓).

Resumo-Chave

A insuficiência renal crônica (IRC) avançada cursa com retenção de catabólitos nitrogenados (uremia), anemia devido à deficiência de eritropoetina, e distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos. A acidose metabólica com ânion-gap aumentado é comum, e o corpo compensa com hiperventilação, resultando em pCO₂ reduzido.

Contexto Educacional

A insuficiência renal crônica (IRC) é uma condição progressiva e irreversível da função renal, que culmina na uremia e em uma série de distúrbios sistêmicos. A apresentação clínica da paciente, com astenia, soluços, náusea, edema e palidez, associada a níveis elevados de ureia e creatinina e anemia, é altamente sugestiva de IRC avançada. É fundamental para residentes e estudantes de medicina compreenderem as alterações fisiopatológicas e laboratoriais associadas. A fisiopatologia da IRC envolve a perda gradual de néfrons, resultando na incapacidade dos rins de manter a homeostase hidroeletrolítica e ácido-básica. Isso leva à retenção de toxinas urêmicas, distúrbios do metabolismo do cálcio e fósforo, anemia (pela deficiência de eritropoetina) e hipertensão arterial. A acidose metabólica é uma complicação comum, caracterizada por um ânion-gap aumentado devido ao acúmulo de ácidos não voláteis. Para compensar a acidose metabólica, o sistema respiratório aumenta a frequência e profundidade da respiração (respiração de Kussmaul), resultando em uma redução do pCO₂ arterial. Portanto, os achados de pCO₂ reduzido e ânion-gap aumentado são esperados em pacientes com IRC avançada e acidose metabólica. O manejo da IRC envolve controle da pressão arterial, tratamento da anemia, correção dos distúrbios eletrolíticos e ácido-básicos, e, eventualmente, terapia renal substitutiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da uremia na insuficiência renal crônica?

Os sintomas da uremia incluem astenia, náuseas, vômitos, soluços, anorexia, prurido, alterações neurológicas (confusão, letargia, convulsões) e edema, refletindo a toxicidade dos produtos nitrogenados retidos.

Por que ocorre anemia na insuficiência renal crônica?

A anemia na IRC é multifatorial, mas a causa principal é a diminuição da produção renal de eritropoetina, um hormônio essencial para a eritropoiese. Outros fatores incluem deficiência de ferro, inflamação crônica e perda sanguínea gastrointestinal.

Como a insuficiência renal crônica afeta o equilíbrio ácido-básico?

A IRC leva à acidose metabólica, principalmente devido à incapacidade dos rins de excretar ácidos (como fosfato e sulfato) e de regenerar bicarbonato. Essa acidose é tipicamente de ânion-gap aumentado. O corpo tenta compensar com hiperventilação, resultando em uma redução do pCO₂.

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