Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2025
Um paciente do sexo masculino, 63 anos, diabético e hipertenso, foi submetido a cirurgia aberta de aneurisma de aorta abdominal infrarrenal. No 2º dia de pós-operatório, evolui com débito urinário progressivamente reduzido (< 0,3 mL/kg/h) e elevação de creatinina. Suspeita-se de insuficiência renal aguda. Qual a conduta inicial mais adequada?
IRA pós-op → Revisar volemia, nefrotóxicos, obstrução cateter ANTES de diálise.
A insuficiência renal aguda (IRA) no pós-operatório, especialmente após cirurgia vascular, é multifatorial. A conduta inicial deve focar em causas reversíveis e comuns, como hipovolemia, uso de medicamentos nefrotóxicos e obstrução do trato urinário (cateter vesical), antes de considerar medidas mais invasivas como a diálise.
A insuficiência renal aguda (IRA) é uma complicação comum e grave no pós-operatório, especialmente em pacientes idosos, com comorbidades como diabetes e hipertensão, e após cirurgias de grande porte como a de aneurisma de aorta abdominal. A IRA é definida por uma rápida deterioração da função renal, manifestada por elevação da creatinina sérica e/ou redução do débito urinário, e está associada a aumento da morbimortalidade. A abordagem inicial da IRA pós-operatória deve ser sistemática e focada na identificação e correção de causas reversíveis. É fundamental avaliar o estado volêmico do paciente, pois a hipovolemia é uma causa frequente de IRA pré-renal. Além disso, deve-se revisar a lista de medicamentos para identificar e suspender fármacos nefrotóxicos. A obstrução do trato urinário, como a do cateter vesical, é uma causa pós-renal que pode ser facilmente corrigida e deve ser descartada precocemente. Somente após a exclusão e correção dessas causas mais comuns e reversíveis, e se a função renal não melhorar ou se houver sinais de complicações graves (como hipercalemia refratária ou sobrecarga volêmica), é que se deve considerar a diálise de urgência. O manejo adequado da IRA pós-operatória é crucial para a recuperação do paciente e para a prevenção de complicações a longo prazo, sendo um tema de grande relevância para residentes e profissionais da área.
As principais causas incluem hipovolemia (pré-renal), necrose tubular aguda (isquêmica ou nefrotóxica), obstrução do trato urinário (pós-renal) e embolia renal. A cirurgia de aneurisma de aorta abdominal pode predispor à isquemia renal.
A hipovolemia é uma causa comum e facilmente corrigível de IRA pré-renal, enquanto fármacos nefrotóxicos (como AINEs, contrastes, alguns antibióticos) podem causar lesão renal direta. Identificar e corrigir esses fatores pode reverter a IRA e evitar progressão para lesão mais grave.
A diálise de urgência é indicada em casos de IRA grave com complicações como hipercalemia refratária, acidose metabólica grave, sobrecarga volêmica com edema pulmonar refratário, uremia sintomática (encefalopatia, pericardite) ou intoxicações dialisáveis, após falha das medidas conservadoras.
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