SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2015
Paciente internado em UTI por choque séptico pulmonar com disfunção hemodinâmica e necessidade de vasopressores. Recebeu reposição volêmica adequada com cristaloides. Mantém débito urinário de 3 ml/kg/hora. A creatinina de entrada era 0,9 mg/dl, a creatinina do dia é 3,4 mg/dl. Sobre a classificação e investigação da insuficiência renal aguda:
IRA em choque séptico com creatinina ↑ (0,9 para 3,4) e débito urinário > 0,5 ml/kg/h → AKIN 3. Diferenciar pré-renal de NTA com FENa/FEU.
Os critérios AKIN (Acute Kidney Injury Network) classificam a IRA com base na elevação da creatinina e/ou redução do débito urinário. No caso, um aumento de creatinina de 0,9 para 3,4 mg/dl (mais de 3x o basal) classifica o paciente como AKIN 3, independentemente do débito urinário. A diferenciação entre causas pré-renais e necrose tubular aguda (NTA) é crucial e pode ser auxiliada por exames como parcial de urina, FENa e FEU.
A Insuficiência Renal Aguda (IRA), ou Lesão Renal Aguda (LRA) conforme terminologia mais recente, é uma complicação comum e grave em pacientes internados em UTI, especialmente aqueles com choque séptico. Sua identificação precoce e manejo adequado são cruciais para o prognóstico. Os critérios AKIN (Acute Kidney Injury Network), assim como RIFLE e KDIGO, são sistemas de classificação que buscam uniformizar o diagnóstico e estadiamento da IRA, utilizando parâmetros de creatinina sérica e débito urinário. No caso apresentado, o paciente tem um aumento da creatinina de 0,9 mg/dl para 3,4 mg/dl, o que representa um aumento de mais de 3 vezes o valor basal. De acordo com os critérios AKIN, um aumento de creatinina sérica para ≥ 3 vezes o valor basal ou um valor de creatinina sérica ≥ 4,0 mg/dL com um aumento agudo de pelo menos 0,5 mg/dL, classifica o paciente como AKIN 3, independentemente do débito urinário. A diferenciação entre IRA pré-renal (causada por hipoperfusão renal, como no choque) e Necrose Tubular Aguda (NTA, lesão intrínseca do parênquima renal) é fundamental para o tratamento. Exames complementares como o parcial de urina (presença de cilindros), a fração excretora de sódio (FENa) e a fração excretora de ureia (FEU) são ferramentas valiosas para essa distinção. Na IRA pré-renal, o rim tenta reter sódio e água, resultando em FENa < 1% e FEU < 35%. Na NTA, há perda da capacidade de reabsorção, com FENa > 2% e FEU > 50%. A reposição volêmica deve ser guiada pela condição hemodinâmica do paciente, evitando sobrecarga, mas garantindo perfusão adequada.
Os critérios AKIN classificam a IRA em 3 estágios com base na elevação da creatinina sérica (1,5x, 2x ou 3x o valor basal) e/ou na redução do débito urinário (oligúria por >6h, >12h ou anúria).
A IRA pré-renal geralmente apresenta FENa < 1%, FEU < 35%, e cilindros hialinos no parcial de urina. A NTA, por outro lado, cursa com FENa > 2%, FEU > 50%, e cilindros granulosos ou epiteliais.
O débito urinário é um dos parâmetros utilizados na classificação da IRA, juntamente com a creatinina. A oligúria persistente é um sinal de gravidade e pode indicar um estágio mais avançado da lesão renal, mesmo que a creatinina ainda não tenha subido significativamente.
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