AKI e Hipercalemia: Manejo em Hipertensão Refratária

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2023

Enunciado

Paciente masculino de 70 anos, com história de Acidente Vascular Cerebral isquêmico há 8 anos, sem sequelas, em uso de anlodipino 10 mg/dia. Em sua última consulta, apresentou controle pressórico repleto de valores fora da meta, sempre em torno de 190 mmHg. O paciente negou qualquer mudança de hábitos incluindo a dieta e está fazendo uso regular da medicação. Apresentou os exames: creatinina = 1,0 mg/dl; ureia = 39 mg/dl; potássio K = 3,6 mEq/L. Optou-se pela introdução de enalapril e hidroclorotiazida. Na consulta de retorno em 60 dias, os exames de controle revelaram: creatinina = 2,8 mg/dl; ureia = 196 mg/dL; potássio K = 5,1 mEq/L. As condutas para esta paciente devem ser, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Suspender Hidroclorotiazida, ultrassonografia de abdome total.
  2. B) Suspender Enalapril, ultrassonografia com doppler de artérias renais.
  3. C) Suspender Enalapril, ultrassonografia de abdome total.
  4. D) Suspender Hidroclorotiazida, ultrassonografia de abdome total.

Pérola Clínica

AKI + Hipercalemia pós-IECA/Diurético: Suspender diurético e investigar causa renal.

Resumo-Chave

O aumento significativo de creatinina e potássio após introdução de diurético e IECA em idoso com HAS refratária sugere disfunção renal. A suspensão do diurético pode ser considerada para reverter a depleção volêmica que pode ter contribuído para a lesão renal aguda, e a ultrassonografia de abdome total é um exame inicial para investigar causas renais.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial refratária, definida como pressão arterial não controlada apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético, é um desafio clínico comum, especialmente em idosos. Nesses pacientes, a introdução de novas medicações requer monitoramento rigoroso da função renal e dos eletrólitos, devido ao risco aumentado de efeitos adversos. O desenvolvimento de insuficiência renal aguda (IRA) e hipercalemia após o início de um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA) e um diurético tiazídico é um cenário preocupante. Enquanto o IECA é um potente anti-hipertensivo, ele pode precipitar ou agravar a IRA e a hipercalemia, especialmente na presença de estenose bilateral da artéria renal ou em rim único. Diuréticos, por sua vez, podem causar depleção volêmica e, consequentemente, IRA pré-renal. Diante de um quadro de IRA e hipercalemia, a primeira conduta é suspender os medicamentos que podem estar contribuindo para o quadro, como o IECA e o diurético. A investigação diagnóstica deve incluir exames de imagem. Embora a ultrassonografia com Doppler de artérias renais seja mais específica para estenose de artéria renal, a ultrassonografia de abdome total é um exame inicial que pode fornecer informações sobre a morfologia renal, presença de hidronefrose (causa pós-renal) e outras alterações estruturais que podem estar contribuindo para a disfunção renal.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas comuns de insuficiência renal aguda em pacientes hipertensos?

Causas comuns incluem nefroesclerose hipertensiva, estenose de artéria renal, nefrotoxicidade por medicamentos (como AINEs, IECA/BRA em estenose bilateral) e depleção volêmica.

Por que a hidroclorotiazida pode contribuir para a insuficiência renal aguda?

A hidroclorotiazida, como diurético, pode causar depleção volêmica, levando a uma redução da perfusão renal e, consequentemente, a uma insuficiência renal aguda pré-renal, especialmente em pacientes idosos ou com comorbidades.

Qual a importância da ultrassonografia de abdome total na investigação de AKI?

A ultrassonografia de abdome total é um exame inicial importante para avaliar o tamanho e a morfologia dos rins, identificar sinais de hidronefrose (obstrução), e pode fornecer pistas sobre doenças renais crônicas ou outras patologias.

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