AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Paciente submetido a prostatectomia radical com acesso videolaparoscópico devido a câncer de próstata. Cirurgia transcorre sem sangramento e sem lesões de estruturas adjacentes. Nas primeiras 6 horas de pós-operatório, paciente urinou 200 mL (peso do paciente 100 kg) e sua creatinina sérica subiu para 2 mg/dL (há 2 dias, sua creatinina sérica era 1,4 mg/dL). Diante desse cenário, qual conduta mais apropriada?
Creatinina ↑ ≥ 0,3mg/dL em 48h ou débito urinário < 0,5mL/kg/h por 6h = IRA.
A insuficiência renal aguda no pós-operatório exige investigação imediata da causa (pré-renal, renal ou pós-renal) e correção de distúrbios metabólicos, evitando condutas empíricas sem diagnóstico.
A Insuficiência Renal Aguda (IRA) é uma complicação frequente em cirurgias de grande porte, como a prostatectomia radical. O reconhecimento precoce através dos critérios KDIGO é fundamental para prevenir a progressão para estágios mais graves e a necessidade de terapia de substituição renal. No pós-operatório, fatores como estresse cirúrgico, hipovolemia relativa, uso de anti-inflamatórios e possíveis obstruções de via urinária devem ser considerados. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica, monitorização rigorosa do débito urinário e avaliação laboratorial de eletrólitos (especialmente potássio) e equilíbrio ácido-base. A conduta deve ser individualizada, buscando a causa base antes de intervenções agressivas, garantindo a segurança do paciente e a recuperação da função renal.
Segundo o KDIGO, a IRA é definida pelo aumento da creatinina sérica ≥ 0,3 mg/dL em 48 horas, ou aumento ≥ 1,5 vezes o valor basal nos últimos 7 dias, ou débito urinário < 0,5 mL/kg/h por pelo menos 6 horas. No caso clínico, o paciente apresenta tanto o critério de creatinina (subiu 0,6 mg/dL) quanto o de débito urinário (0,33 mL/kg/h), confirmando o diagnóstico de Insuficiência Renal Aguda.
A prova de volume deve ser criteriosa. Embora a causa pré-renal seja comum, a sobrecarga hídrica em pacientes com IRA estabelecida ou causas pós-renais (obstrutivas) pode agravar o quadro clínico, levando a edema agudo de pulmão e piora da função renal por congestão. A avaliação do status volêmico e da causa base deve preceder a expansão volêmica agressiva.
A prioridade é identificar a causa incitadora (ex: hipovolemia, nefrotoxicidade, obstrução) e tratar complicações imediatas, como hipercalemia e acidose metabólica grave, além de ajustar doses de medicamentos de excreção renal. O monitoramento rigoroso do balanço hídrico e eletrólitos é essencial para evitar a progressão da lesão renal.
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