Valvulopatias: Diagnóstico de Insuficiência Pulmonar e Estenose Mitral

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 36a, queixa-se de dispneia em repouso, ortopneia e tosse seca. Exame físico: Coração: sopro diastólico +++/6+ em segundo espaço intercostal esquerdo, aspecto aspirativo, sopro diastólico em ruflar +++/6+, hiperfonese de B1 e final de B2, extremidades: pulsos periféricos simétricos, amplitude normal.A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:

Alternativas

  1. A) Estenose aórtica e insuficiência tricúspide.
  2. B) Dupla lesão mitral e estenose aórtica.
  3. C) Insuficiência pulmonar e estenose mitral
  4. D) Insuficiência aórtica e insuficiência mitral.

Pérola Clínica

Sopro diastólico aspirativo em 2º EIC esquerdo + ruflar diastólico com hiperfonese de B1 = Insuficiência Pulmonar e Estenose Mitral.

Resumo-Chave

O sopro diastólico aspirativo no 2º espaço intercostal esquerdo, embora possa sugerir insuficiência aórtica, também é característico da insuficiência pulmonar (sopro de Graham Steell), especialmente em contextos de hipertensão pulmonar. O sopro diastólico em ruflar com hiperfonese de B1 é patognomônico de estenose mitral.

Contexto Educacional

A avaliação de sopros cardíacos é uma habilidade fundamental no exame físico, crucial para o diagnóstico de valvulopatias. A insuficiência pulmonar (IP) é uma valvulopatia que se manifesta por um sopro diastólico, geralmente de alta frequência e aspirativo, audível na borda esternal esquerda. Quando associada à hipertensão pulmonar, é conhecida como sopro de Graham Steell. A estenose mitral (EM), por sua vez, é caracterizada por um sopro diastólico em ruflar, de baixa frequência, melhor audível no ápice cardíaco, frequentemente acompanhado de hiperfonese da primeira bulha (B1) e, por vezes, um estalido de abertura. Os sintomas apresentados pela paciente, como dispneia em repouso, ortopneia e tosse seca, são clássicos de congestão pulmonar, que pode ser causada tanto por estenose mitral grave quanto por insuficiência pulmonar significativa, especialmente se houver hipertensão pulmonar associada. A hiperfonese de B1 e o sopro diastólico em ruflar são achados patognomônicos da estenose mitral, indicando uma dificuldade no esvaziamento do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo. Para residentes, a capacidade de identificar e diferenciar esses sopros é vital. A correta interpretação dos achados da ausculta cardíaca, em conjunto com a história clínica e outros sinais físicos, permite a formulação de hipóteses diagnósticas precisas e a solicitação de exames complementares direcionados, como o ecocardiograma, para confirmação e quantificação das lesões valvulares. O manejo dessas condições varia desde acompanhamento clínico até intervenções cirúrgicas ou percutâneas.

Perguntas Frequentes

Quais são as características do sopro da insuficiência pulmonar?

A insuficiência pulmonar geralmente apresenta um sopro diastólico de alta frequência, aspirativo, audível na borda esternal esquerda (2º-3º espaço intercostal), que pode ser acentuado pela inspiração. É conhecido como sopro de Graham Steell quando associado à hipertensão pulmonar.

Como identificar a estenose mitral no exame físico?

A estenose mitral é caracterizada por um sopro diastólico em ruflar, de baixa frequência, melhor audível no ápice cardíaco com o paciente em decúbito lateral esquerdo. É frequentemente acompanhada de hiperfonese da primeira bulha (B1) e, por vezes, um estalido de abertura.

Quais são os sintomas comuns associados à estenose mitral?

Pacientes com estenose mitral frequentemente se queixam de dispneia de esforço, ortopneia, dispneia paroxística noturna e tosse seca, resultantes do aumento da pressão no átrio esquerdo e congestão pulmonar.

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