PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2020
Jaqueline, 35 anos, casada, administradora de empresas, fumou por 13 anos parou há 2 anos, nuligesta, tentando engravidar há 1 ano e 5 meses. Refere ciclos menstruais regulares, porém com redução progressiva do fluxo e dias de sangramento. Relata que houve melhora dos sintomas pré-menstruais, nega dismenorreia, dispareunia. Mãe engravidou 3 vezes, com 2 filhas vivas e 1 aborto, mas entrou em menopausa com 37 anos. Trouxe alguns exames, coletados no quarto dia do ciclo menstrual, como: espermograma normal; FSH 8,2; Hormônio Antimulleriano (AMH) 0,1; Contagem de Folículos Antrais (CFA) de 3, cariótipo e histerossalpingografia normais. Com relação ao caso clínico, podemos afirmar CORRETAMENTE que o diagnóstico de insuficiência ovariana primária nesta paciente
IOP = AMH ↓ + CFA ↓ + história familiar/tabagismo + alteração menstrual, mesmo com FSH normal inicial.
A insuficiência ovariana primária (IOP) pode ser diagnosticada com base em um conjunto de fatores, incluindo marcadores de reserva ovariana (AMH e CFA baixos), história familiar de menopausa precoce, tabagismo e alterações no padrão menstrual, mesmo que o FSH ainda não esteja consistentemente elevado.
A insuficiência ovariana primária (IOP), anteriormente conhecida como falência ovariana prematura, é caracterizada pela perda da função ovariana antes dos 40 anos de idade. Clinicamente, manifesta-se por amenorreia ou irregularidade menstrual, associada a níveis elevados de gonadotrofinas (FSH) e baixos níveis de estrogênio. No entanto, o diagnóstico pode ser desafiador nas fases iniciais. A fisiopatologia envolve a depleção acelerada ou disfunção dos folículos ovarianos. Fatores genéticos, autoimunes, ambientais (como tabagismo) e iatrogênicos podem contribuir. A avaliação da reserva ovariana é fundamental e inclui a dosagem do Hormônio Antimulleriano (AMH), que reflete diretamente o número de folículos em crescimento, e a Contagem de Folículos Antrais (CFA) por ultrassonografia. O FSH pode estar normal nas fases iniciais, elevando-se progressivamente à medida que a reserva diminui. No caso apresentado, a paciente tem 35 anos, história de tabagismo, mãe com menopausa precoce (37 anos), ciclos menstruais com redução progressiva do fluxo, AMH muito baixo (0,1) e CFA de 3. Esses achados, em conjunto, são compatíveis com o diagnóstico de insuficiência ovariana primária, mesmo com um FSH de 8,2 (que, embora dentro da normalidade para alguns laboratórios, pode ser considerado elevado para o 4º dia do ciclo em pacientes jovens tentando engravidar, e é menos sensível que AMH/CFA para reserva ovariana).
Os principais marcadores são o Hormônio Antimulleriano (AMH), que reflete o pool de folículos antrais e pré-antrais, e a Contagem de Folículos Antrais (CFA) por ultrassonografia transvaginal. O FSH também é usado, mas tende a se elevar mais tardiamente.
A história familiar de menopausa precoce sugere uma predisposição genética à diminuição da reserva ovariana. O tabagismo é um fator de risco conhecido por acelerar a depleção folicular e antecipar a menopausa.
No início da insuficiência ovariana, o FSH pode ainda estar dentro da normalidade, pois o corpo tenta compensar a diminuição da reserva ovariana. O AMH e a CFA são indicadores mais sensíveis e precoces dessa redução.
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