UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Mulher, 31a, nuligesta, queixa-se de amenorreia há nove meses, desde que suspendeu o uso do anticoncepcional oral combinado, que utilizava há 10 anos, pois pretende engravidar. Nega alterações menstruais prévias. Exames de investigação: ultrassonografia transvaginal=sem alterações; beta-hCG sérico=negativo; TSH=3,6mUI/L; prolactina=21ng/mL; FSH=45mUI/mL. Após 15 dias, FSH=60mUI/mL. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
Amenorreia secundária + FSH persistentemente elevado em mulher < 40 anos = Insuficiência Ovariana Prematura (IOP).
A amenorreia secundária em uma mulher jovem com FSH elevado e persistente, após exclusão de gravidez e outras causas comuns (como hiperprolactinemia ou disfunção tireoidiana), é altamente sugestiva de Insuficiência Ovariana Prematura (IOP). O uso prévio de anticoncepcional não causa IOP, mas pode mascarar seus sintomas até a interrupção.
A amenorreia secundária, definida como a ausência de menstruação por mais de três ciclos ou seis meses em uma mulher que já menstruou regularmente, é uma queixa comum na ginecologia. A investigação de amenorreia secundária em mulheres jovens é crucial, especialmente quando há desejo de engravidar. O caso apresentado, de uma mulher de 31 anos com amenorreia de nove meses após suspensão de anticoncepcional oral combinado, exige uma abordagem diagnóstica sistemática. Os exames iniciais para amenorreia secundária incluem a exclusão de gravidez (beta-hCG negativo), avaliação da função tireoidiana (TSH) e dos níveis de prolactina. No caso, ambos estão normais. O achado mais significativo é o FSH persistentemente elevado (45 mUI/mL e depois 60 mUI/mL). Níveis elevados de FSH em uma mulher em idade reprodutiva indicam que os ovários não estão respondendo adequadamente aos estímulos da hipófise, sugerindo uma falência ovariana. Quando a falência ovariana ocorre antes dos 40 anos, o diagnóstico é de Insuficiência Ovariana Prematura (IOP), também conhecida como falência ovariana precoce. A IOP é caracterizada por amenorreia, hipoestrogenismo e níveis elevados de gonadotrofinas (FSH e LH). É fundamental para o residente reconhecer este padrão laboratorial, pois a IOP tem implicações significativas para a fertilidade e a saúde óssea e cardiovascular da paciente, necessitando de aconselhamento e, frequentemente, terapia de reposição hormonal.
Os critérios para IOP incluem amenorreia por pelo menos 4-6 meses, idade inferior a 40 anos e dois níveis de FSH em faixa menopausal (geralmente > 25-40 mUI/mL), coletados com pelo menos 4 semanas de intervalo.
Antes de diagnosticar IOP, é fundamental excluir gravidez (beta-hCG negativo), disfunções tireoidianas (TSH normal), hiperprolactinemia (prolactina normal) e causas anatômicas (USG transvaginal normal).
A IOP implica em infertilidade (com necessidade de doação de óvulos para gestação), sintomas de deficiência estrogênica (fogachos, secura vaginal) e aumento do risco de osteoporose e doenças cardiovasculares, exigindo terapia de reposição hormonal.
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